POV Noah A dor física era mais simples. Direta. Controlável. Era só escolher o ponto, preparar a pele e deixar a agulha trabalhar. Cada linha marcada era como um grito calado. Um grito que ninguém ouvia, mas que eu sentia vibrar embaixo da pele. Comecei a tatuar escondido. No início, foi no banheiro, com a porta trancada e a janela aberta pra ventilar. Um kit de tatuagem comprado na internet com um nome qualquer, sem nota, sem garantia. Eu não ligava. Só precisava da agulha, da tinta, e de silêncio. O primeiro desenho foi pequeno. Uma linha. Depois outra. Um raio quase imperceptível perto da costela. A dor veio rápida, aguda, e depois... alívio. Era como se, por um momento, tudo o que eu sentia — o sufoco, a raiva, o medo, a saudade da Luna — escorresse tinta preta. Depois daquele dia

