O dia parecia mais cinza, como se o céu soubesse que algo estava prestes a desabar. Ayla encarava a rua pela janela da sala. O morro estava quieto demais. Nem as crianças brincavam como antes. Era o silêncio que precede a guerra. O desaparecimento do homem do Complexo havia deixado todos em alerta. Cauã não saiu do telefone a manhã inteira, coordenando o bonde, dando ordens, tentando rastrear qualquer passo estranho. Mas Ayla sentia que não era só isso. Havia algo diferente nele. — “Você tá esquisito,” ela disse, enquanto ele vestia a camisa preta e preparava o coldre na cintura. Cauã olhou pra ela pelo reflexo do espelho. — “Não posso me dar ao luxo de vacilar agora.” — “Não tô falando do morro. Tô falando de você.” Ele se virou, andando devagar até ela. — “Aquela mensagem do Biel..

