Damon olhava pelo vidro do carro enquanto Laura entrava em casa, quando a viu na empresa sentiu um sentimento estranho que não soube como explicar, mas sabia que precisava falar com ela, claro ele optou pelo sarcasmo como um modo de defesa, desde que foi embora ele optou por esse tipo de abordagem como uma forma de afastar pessoas irritantes, mas porque ele deveria se defender dela? Riu de si mesmo. A garota de agora não era a mesma de antes, estava ainda mais bonita, não que ele quisesse analisar, mas seus olhos insistiram em passear pelo corpo dela, seus s***s haviam crescido, mas não tanto, seu corpo parecia ter mais curvas e suas pernas estavam definidas e lindas, seu traseiro com certeza chamava bem atenção, Laura sempre foi uma garota bonita, única com aqueles cabelo pretos e que agora estavam mais longos quase chegando a sua cintura, os olhos cor de esmeralda continuavam com aquele olhar de desafio selvagem, era como uma felina, e ainda assim nunca a havia visto tão bonita e sexy como agora, no passado ela era apenas uma garotinha divertida e que usava roupas largas, como se fosse um amigo que ele tinha coisas em comum.
Deu partida no carro e se dirigiu a sua antiga casa, eles moravam em um condomínio no bairro chique da cidade de Blackridge Falls localizada nas montanhas Blue Hollow no interior da Carolina do Norte, não era uma cidade tão grande, mas era bem desenvolvida e atualizada mesmo assim ainda mantinha a neblina constante como se a cidade vivesse envolta em segredos, ele sempre quis voltar, mas seu tio Henry insistia para que ele se preparasse melhor, Henry sempre foi um homem ambicioso e rígido como seu pai, talvez a criação Blackwood parecia passar de geração em geração e nada mudava nunca talvez esse fosse o segredo da grande da fortuna da família. Não entendia o porquê de ele ser o sucessor quando seu irmão mais Velho era o primeiro na linha de sucessão, mas Logan renunciou e então tudo caiu em seus ombros. Seu irmão que era o único que sabia o quanto esse fardo era pesador e ainda sim o abandonou sem se importar se era ele quem iria carrega-lo, não podia culpa-lo ou odiá-lo por isso, Logan desde quando eram pequenos sempre deu indícios de que não queria ser quem iria herdar todo aquele império, ele era gentil e amoroso como sua mãe, e na maioria das vezes entrava em conflitos com seu pai por causa de suas ideias e pensamentos contraditórios, ele não tinha a ambição e nem desejo de poder, queria ser feliz e era tudo o que bastava e foi por isso que quando finalmente encontrou o amor ele abandonou tudo, para não deixar que esse amor ruísse e se destruísse com a sede de poder dos Blackwood.
Damon sabia que Logan fez o que achou ser certo, mas sentia a magoa remoer em seu peito por saber que era menos importante do que uma mulher que ele conhecera por pouco tempo, talvez esse pensamento fosse um pouco egoísta e infantil, e na sua idade não poderia se dar ao luxo disso, mas havia uma rachadura dentro de si que o afastava do amor, pois não queria perder o controle do mesmo jeito que seu irmão perdeu.
Um tempo se passou e Logan era um nome esquecido naquela casa, como se houvesse uma regra silenciosa sobre não mencionar seu nome e nem mesmo sua existência e isso deixava ainda mais claro que amor era para os fracos, tais sentimentos não podiam ser permitidos ali e Damon se prendeu a essa ideia de que tudo bem se divertir, mas o apego só geraria mais magoa e desgosto, seus pais haviam sofrido um acidente fatal meses depois que seu irmão havia ido embora, em uma viagem de negócios onde o avião em que voavam não havia sido revisado e acabou tendo um problema que os fez despencar do céu, os corpos foram encontrado em meio aos destroços e tudo que Damon pode fazer foi chorar por sua mãe, que fora a única que permaneceu ao seu lado lhe motivando e dizendo que tudo ficaria melhor, mas ela sabia que não ficaria. Ela só queria que ele fosse forte para aguentar todas os testes e controle que estariam por vir, onde sua vida não seria mais sua, seria apenas uma ferramenta para manter o império de pé. Seu pai era um homem frio e rígido, ele só se importava com a empresa e seus negócios, era um pai ausente além de agir como se fosse dono do mundo e das pessoas, talvez ele tivesse se tornado um pouco parecido com ele, já que todas as mulheres com quem ele havia se relacionado sempre diziam que ele não tinha sentimentos, era frio e só pensava em si mesmo, como se ele não fosse realmente um humano, algumas apenas se deleitavam no prazer que recebiam e nos presentes e quando percebiam que nada mais sairia dali se sentiam tristes e traídas, mas ele sempre foi franco ao dizer que não haveria sentimentos envolvidos, não era sua culpa se apenas com as preliminares elas já estavam caídas aos seus pés.
Damon finalmente fechou a porta do carro e parou em frente da porta, aquele lugar lhe trazia uma sensação de paz e ao mesmo tempo de saudades de quando sua mãe ainda estava ali, olhou em volta e viu a casa onde Laura morava quando eram vizinhos, lembrou de que ir dar aulas a ela era sua forma de escape de toda a pressão que existia em sua casa, com ela e a família dela tudo parecia leve e acolhedor. Lembrou de quantas vezes ela tentava lhe pregar peças, mas era tão desajeitada que sempre era descoberta, seu rosto ficava triste e ela fazia um bico engraçado como se estivesse emburrada, ela era fofa e amava falar, ele gostava de escutar ela falando as coisas que aconteciam, era outra realidade e ele ficava imaginando de como ela era com seus amigos da escola.
Criou coragem e abriu a porta da casa, estava tudo silencioso, tudo no mesmo lugar que havia sido deixado há 10 anos atrás, ele entrou e observou mais um pouco, o sofá que sua mãe adorava, ela havia decorado cada parte daquela casa, ele não mudaria nada ali. Uma vez Laura havia ido estudar em sua casa, sua mãe a adorou, mimou a garota como se fosse sua filha, ela sempre quis ter uma menina, mas não podia mais ter filhos depois que ele nasceu. Ele lembrava que foi o dia em que aquela casa pareceu mais iluminada, até a um filme eles assistiram juntos, e só de ver o sorriso de sua mãe ele se sentiu feliz. Depois desse episódio Marina sempre perguntava pela garota e quando ela iria lá de novo, mas as coisas estavam tão complicadas que ele não queria que sua pequena Laura soubesse ou presenciasse as coisas que aconteciam em sua casa, as frequentes brigas do pai e Logan e até mesmo com ele, no fim quando Logan foi embora não houve mais brigas e nem oposições, apenas o vazio que ele deixou naquela casa.
A casa estava limpa como se houvesse tido moradores ali, antes de voltar seu tio contratou uma pessoa para limpar e organizar a casa, e não só isso, como também ficar trabalhando por lá, pelo menos ele não se sentiria tão só.
Seus pensamentos voltaram novamente para aqueles olhos esmeralda, o jeito que ela o olhava e o evitava lhe trazia desconforto, não queria que ela o odiasse, queria poder voltar a ser como eram antes de tudo, antes de ele ir embora e se tornar a pessoa que era agora, e ver ela na empresa, que era o último lugar onde imaginou encontra-la pareceu confirmar que era o que devia fazer, quando ela recusou sua carona, não, ainda antes quando ela lhe chamou de Sr.Blackwood, ele percebeu a distância que ela impôs e isso o assustou, o deixou atônito, mesmo que entendesse que ele foi quem colocou aquele muro entre eles primeiro.
Entrou em seu quarto e desfez sua mala, estava decidido a recuperar o tempo perdido, decidido a não permitir ser manipulado nunca mais por seu tio, e agora que estava de volta ele não iria mais perder ninguém, não iria perder Laura também. Se jogou na cama e olhou para o teto enquanto tirava a gravata e desabotoava a blusa social ainda pensando em como poderia se reaproximar dela, queria saber mais sobre ela, sobre como tinham sido esses 10 anos e o que tinha acontecido.
Mas algo cintilou em sua mente, ela havia dito que tinha alguém estava lhe esperando, ela tinha se casado? Ela tinha mudado de casa com algum homem? Pensar assim lhe fez sentir um incômodo terrível, como se estivesse se sentindo doente, talvez devesse perguntar a ela em vez de tirar suas próprias conclusões, poderia ligar pra ela, ele não tinha o número dela, e talvez ela nem o daria, sabia que não era certo mexer nos arquivos dos funcionários principalmente para uma coisa como essa mas o faria mesmo assim, seu celular tocou o tirando daqueles pensamentos incômodos.
— Alô! - ele respondeu no mesmo tom seco de sempre, ouviu uma voz animada do outro lado.
— i****a! Você volta e nem me avisa seu desgraçado. - o outro falou em tom de reprovação, mesmo assim não parecia estar com raiva.
— Eu tinha muitas coisas pra fazer, estava desfazendo as malas agora i****a, ia te ligar depois. - houve um silêncio e logo depois ele falou de forma séria.
— Você está bem? Muitas coisas aconteceram, bem você sabe o que quero dizer, voltar a sua casa deve trazer lembranças. – Nathan Carter era seu melhor amigo, mas era totalmente o seu oposto, era barulhento e animado na maior parte do tempo, um dos populares por ser agradável e acolhedor, principalmente com as garotas. Seus Cabelos eram loiros, olhos azuis e seu porte físico era de dar inveja, o amigo se orgulhava do longo tempo treinando, era lutador de artes maciais e filho de uma das Famílias mais prestigiadas da pequena cidade, basicamente um descendente dos fundadores de Blackridge, sua família tinha várias conexões com pessoas importantes inclusive com sua família, mas ele sabia que Nathan no fundo se sentia apenas um boneco nas mãos dos poderosos, seu amigo não se considerava um dos homens mais inteligentes, e que ele nunca soubesse disso, mas Damon o achava brilhante mesmo que fosse da sua forma extravagante e exagerada. A diferença entre eles é que a família de Nathan era unida e amorosa, como se mesmo com os parâmetros altos que seu filho tivesse que alcançar ainda sim estariam ali se ele não o fizesse.
— Eu estou bem, na verdade finalmente me sinto bem, já que estou em casa. - dessa vez não houve tom seco e nem uma ironia, o que demonstrou sinceridade no que ele dizia e Nathan ficou feliz e aliviado pelo amigo.
— Que bom que não vou ter que te ver chorar como uma menina. - o loiro gargalhou do outro lado e Damon deu um sorriso.
— Você é um i****a! Já sabe que eu estou aqui, agora vou terminar de arrumar minhas coisas. - Já ia desligar o celular quando o loiro gritou;
— Espera! Que apressado, eu também liguei para perguntar se você não quer ir a um barzinho comigo e uns amigos. - o outro falou cauteloso.
— O que você está aprontando Nathan? - perguntou desconfiado.
— Você sabe que eu estou noivo né, eu te contei que minha família fez um arranjo de casamento com a Filha mais velha dos Withmore, bem hoje meio que vai ser uma festa de noivado com os meus amigos e os dela, então preciso de alguém pra me dar essa força lá. – Damon sabia que ele queria alguma coisa.
— Estou cansado, e você sabe que não sou muito sociável, e os outros caras? Simon, Sai, e os outros? - só queria se livrar disso para poder descansar.
— Eles até vão, mas você é meu melhor amigo senhor do gelo, e é o meu noivado. - o outro falou tentando fazer uma certa chantagem emocional, mas ele sabia que Nathan só o queria lá pra poder ter alguém que o levasse pra casa quando estivesse bêbado.
— Eu te conheço, você só quer alguém pra dirigir, a resposta é " não beba". – Damon falou negando o convite.
— p***a! - o outro gargalhou. - é por isso que nenhuma mulher te aguenta. Bom também achei que você ia querer ir porque que sua protegida vai estar lá. - disse o loiro aceitando o "não”.
— Protegida? - o moreno agora pareceu mais interessado.
— Aquela que você dava aulas particulares que parecia mais um garotinho, ela é amiga da Elena. - Então Laura também estaria lá, talvez a oportunidade de conversar com ela acabou vindo mais cedo do que ele esperava.
— Pensando bem, vai ser bom rever o pessoal de novo, só é um pouco estranho porque sou o mais velho da galera. - ele não ligava muito pra idade, mas pensar em estar no meio de jovens era irritante.
— Porque você tá pensando isso? Nem parece que você tem 31 anos, as garotas piram em um cara sem sentimentos, mesmo assim você não é único trintão, eu e os caras estamos nessa mesma faixa esqueceu? – Seu amigo estava certo, mesmo assim precisava de um tempo a sós com Laura, mas antes disso foi que parou para pensar em como uma garota tão bonita e jovem aceitou casar com Nathan um galinha modéstia á parte e que nunca quis um compromisso de verdade com ninguém. Todo mundo sabia dessa fama dele, e o casamento arranjada era pior ainda porque deixava mais claro que aquele compromisso não passava de um negócio.
— Manda a localização e a hora, te encontro lá, Nathan não faça nenhuma gracinha ou eu vou te matar. - antes de desligar ouviu o loiro dar uma risadinha, respirou fundo e se repreendeu por ter caído na armadilha do amigo, ter sido tão impulsivo não era de seu feitio, mas só de ouvir falar de pensar que estaria em um lugar mais informal onde poderia conversar com ela e tentar resolver as coisas, fez com que isso não importasse, agora quem sabe eles poderiam recomeçar