Depois que deixei minha filha no quarto eu desci para o andar de baixo e fui para o meu escritório e ao passar em frente a porta da cozinha eu vejo Yume fazendo o almoço. Sigo meu caminho e já dentro do escritório sento na cadeira e ligo meu computador onde abro um email do trabalho e vejo que era minha demissão.
Eu sair do trabalho apenas com três dias de férias para buscar minha filha, mais depois que tudo isso aconteceu eu fiquei dois meses fora, eu já sabia que isso poderia acontecer, esse é o meu trabalho dos sonhos e eu ganho muito bem, mais infelizmente eu não vou trocar mais meu trabalho pela minha filha, desde quando ela era pequena que eu sempre levei o meu tempo para o trabalho, e deixei ela com babas, talvez se eu tivesse conversado com ela saberia o que ela estáva passando, isso tudo é culpa minha.
Deixo esses pensamentos de lado e entro na pasta que contém as câmeras de segurança da minha casa e fiquei perplexa pelo o que vi e ouvi. Onde era que eu estava quando isso acontecia com a minha filha? Ligo para Yume vim até meu escritório e não demora muito ela chega.
—Yume, precisamos ter uma conversa séria. Suas ações recentes não condizem com o padrão profissional do qual eu te contratei.— digo com minha voz firme ecoando pelas paredes.
Yume, visivelmente desconfortável, tentava se explicar, mas eu não permitia interrupções.
— Não posso ignorar o que observei nas câmeras de segurança. Suas atitudes comprometem a integridade do acordo que fizemos a confiança que depositamos em você.
— Yume, lamento informar que não posso mais contar com você para trabalhar na minha casa. Sua demissão é efetiva a partir de agora. Por favor, pegue suas coisas e vá embora da minha casa. — Falo encerrando esse assunto e lhe entrego o dinheiro do tempo que ela passou trabalhando comigo e saiu do escritório.
(...)
— Maya, trouxe seus medicamentos. -- murmurei suavemente ao me aproximar da cama. Seus olhos encontraram os meus, refletindo uma mistura de gratidão e fragilidade. A conexão entre nós transcendia as palavras, uma compreensão mútua da jornada difícil que enfrentávamos.
— Como você está se sentindo?— Perguntei para ela.
— Estou bem mãe.— ela fala com um sorriso mínimo— Eu sinto muito por ter feito isso
— Tudo bem meu amor, não vamos mais pensar nisso, já passou, vamos agora só viver o amanhã, o seu pai chega amanhã de viagem, Yume não vai mais trabalhar aqui, e eu não vou mais trabalhar fora, agora vamos viver como uma família de verdade.
— Obrigada mamãe, eu te amo.— Maya fala emocionada e me abraça e eu retribuo, depois desço para o andar de baixo onde pego nosso jantar e levo para o quarto onde tomamos juntos.
Christian
Durante esses últimos dias, nunca mais fiquei sabendo notícia de Maya, aquela jovem pela qual eu ajudei. Uma inquietude constante pairava sobre mim, ansioso para saber se ela estava bem, se havia seguido adiante. Estava na sala dos enfermeiros quando um chamado de emergência ecoou e, ao lado do médico e de outros colegas, prontamente me dirigi ao local.
Ao chegar lá, meu coração acelerou ao ver Maya na maca. Um misto de preocupação e surpresa tomou conta de mim. O que pode ter acontecido com ela para está aqui? Meu deus.— falo surpreso .
Ao lado do médico e da equipe de enfermeiros, mergulhei nas ações necessárias para cuidar de Maya. O coração apertado, minhas mãos trabalhavam com destreza, mas minha mente divagava entre a preocupação com sua saúde e as memórias recentes de nossa interação.
Enquanto monitoramos os sinais vitais, uma onda de sentimentos contraditórios me invadiu. A sensação de responsabilidade misturava-se à angústia de vê-la novamente em uma situação delicada. Em silêncio, desejei ardentemente que ela encontrasse a força para superar mais esse desafio.
Enquanto o médico liderava o tratamento, meu olhar se perdia por instantes na expressão serena de Maya, buscando indícios de sua recuperação. As horas passaram como um turbilhão de preocupações e esperanças, e eu permanecia ali, ao lado dela, ansiando por notícias positivas sobre o futuro incerto que se desenhava para essa jovem que, de alguma forma, tinha cruzado novamente o meu caminho.
Abordando o doutor Federico, minha voz demostrava uma mistura de ansiedade e apreensão.
— Doutor Federico, o que aconteceu com a Maya ?
— Realizamos alguns exames e descobrimos que ela ingeriu uma quantidade significativa de medicamentos para dormir. Agora ela está em coma.
Ao saber sobre o estado delicado de Maya, senti um aperto no peito e uma sensação de desnorteio. Conheci sua mãe, e algumas vezes nos cruzamos nos corredores do hospital. Instintivamente, ofereci minha ajuda e trocamos números de celular quando ela recebeu alta.
Nos dias seguintes, recebi mensagens sobre a situação da Maya, e a cada atualização, a angústia crescia. Em uma dessas mensagens, que troquei com a senhora Carla e soube que sua mãe havia decidido deixar o trabalho para estar mais presente. Fiquei admirado com a coragem dessa decisão, reconhecendo a importância da família acima de tudo.
DIAS ATUAIS
Saí do trabalho com o peso do dia sobre os ombros, mas a ideia de visitar Maya trouxe um lampejo de luz à minha jornada. Decidi fazer uma breve parada em uma confeitaria próxima, atraído pelo doce aroma de bolos frescos.
Ao entrar, meus olhos se fixaram na fatia suculenta de bolo de morango, uma escolha perfeita para animar o espírito. Enquanto pagava, a atendente sorriu, talvez percebendo a expectativa em meu rosto. Com a fatia de bolo devidamente embalada, segui apressadamente em direção ao destino que aquecia meu coração.
Chegando à porta de Maya, bati levemente antes de entrar. Seus olhos, revelando uma mistura de surpresa e alegria, encontraram os meus. Entreguei a caixa com a fatia de bolo, desejando que o sabor do morango trouxesse um pequeno alívio em meio às circunstâncias desafiadoras.
— Trouxe algo para adoçar o dia.— comentei, observando um sorriso tímido surgir em seu rosto. Juntos, compartilhamos aquele momento de doçura, onde as palavras eram dispensáveis, e a presença significava mais do que qualquer discurso reconfortante.
Passamos o tempo saboreando o bolo de morango, e a atmosfera se encheu de uma serenidade reconfortante. Cada garfada parecia dissipar as preocupações do dia, criando uma pausa preciosa na rotina atribulada.
Maya, com expressão grata, quebrou o silêncio:
— Obrigada, Christian. Este gesto significa muito para mim.— ela fala sorrindo
Respondi com um aceno suave, reconhecendo que às vezes, nos momentos mais simples, encontramos consolo. Enquanto conversávamos sobre assuntos leves, o bolo desaparecia gradualmente, deixando um rastro de satisfação e cumplicidade.
Ao nos despedirmos, senti uma sensação de gratificação por ter conseguido proporcionar um breve escape da realidade. Prometi voltar em breve, sabendo que esses pequenos gestos podiam fazer uma diferença significativa para a vida de Maya.