O silêncio do quarto era profundo, acolhedor. Apenas o som baixo e rítmico da nossa respiração preenchendo o espaço entre nós. A dor de uma exaustão gostosa pesava meus membros, mas algo ainda agitava dentro de mim, uma faísca que o sono não conseguia apagar. Era ele. Apenas ele.
Eu me mexi sob as cobertas, me virando completamente para encará-lo. Seus olhos estavam fechados, as linhas do rosto relaxadas, mas eu sabia que ele não dormia. A mão dele, que ainda segurava a minha, deu um leve aperto.
Victor abriu os olhos. Na penumbra, eles não eram apenas escuros; eram um abismo, e eu estava prestes a me jogar novamente.
Sem uma palavra, ele soltou minha mão. Mas não para se afastar. Seus dedos subiram pelo meu braço, um toque de arrepio que fez minha pele se arrepiar toda novamente.
Parou no meu ombro, depois contornou a curva, desceu pela lateral do meu seio sem tocá-lo diretamente, apenas esfregando a lateral do polegar contra a pele sensível. Era uma tortura lenta, deliberada. Um estudo.
— O que você está fazendo? — minha voz saiu rouca, um sussurro no escuro.
— Lembrando — ele respondeu, simples.
Sua mão finalmente cobriu meu seio, a palma quente e áspera se moldando perfeitamente à curva. Mas não havia pressa. Não havia a fúria possessiva de antes. Agora era… reverência. Seu polegar passou sobre o mamilo, já duro e ansioso, em um movimento circular infinitamente lento. Cada volta era um voltímetro do meu prazer, subindo, subindo.
Ele se inclinou e beijou meu ombro, depois a clavícula, a curva do pescoço. Seus lábios eram suaves, exploratórios. Como se cada centímetro da minha pele fosse um território novo a ser descoberto, mapeado, consagrado.
— Victor… — tentei de novo, mas o nome saiu como um pedido de socorro.
— Shhh, — sussurrou contra minha pele, seu hálito quente. — Deixa.
Seus lábios finalmente encontraram meu mamilo. Dessa vez, não foi uma tomada. Foi uma oferenda. Ele o beijou, lambeu com a ponta da língua em movimentos leves, hipnóticos, antes de envolvê-lo com os lábios e sugar com uma paciência devastadora.
A sensação era completamente diferente. Antes tinha sido fogo e fúria; agora era um derretimento lento, uma infusão de calor que ia direto para o meu útero, fazendo-o contrair em antecipação.
Enquanto sua boca trabalhava em um seio, sua mão livre começou uma peregrinação pelo meu corpo. Deslizou pela minha cintura, pelo quadril, pela curva externa da minha coxa, até meu joelho. Ele a dobrou suavemente, abrindo meu corpo para ele. Então a mão voltou, desta vez pela parte interna da coxa, uma senda de fogo que me fez tremer violentamente.
Ele soltou meu seio com um som baixo e úmido, seu rosto subindo para encontrar o meu no escuro. Ele me beijou, e o beijo tinha o gosto de mim, salgado e doce. Sua mão, finalmente, encontrou o meu centro novamente.
Mas não para invadir. Para adorar.
Seus dedos deslizaram pelos lábios inferiores, já úmidos de desejo renovado, coletando a essência. Ele passou aquela umidade em círculos lentos, infinitos, no c******s.
Era um toque tão leve, tão preciso, tão incessante, que parecia estar desenhando algo ali. Construindo algo. Meu quadril começou a se mover por conta própria, buscando uma pressão que ele se recusava a dar.
— Assim… devagar… — ele murmurou, seus lábios percorrendo minha mandíbula. — Deixa eu te sentir.
E eu deixei. Fechei os olhos e me entreguei àquele martírio glorioso. Cada círculo de seus dedos era um passo em uma escada invisível. Minha respiração ficou ofegante, irregular.
Gemidos baixos escapavam de mim, mas eu não tinha controle sobre eles. Meu mundo era a ponta de seus dedos, a escuridão atrás das minhas pálpebras e a voz rouca dele sussurrando no meu ouvido.
— Tu é linda assim, completamente perdida. — disse ele. — Toda minha.
Ele então desceu pelo meu corpo, seus beijos deixando um rastro de fogo na minha pele. Passou pelos meus s***s, pela barriga, parou no osso do quadril e o mordiscou de leve. Um arrepio percorreu minha espinha. E então, ele se posicionou entre minhas pernas.
O primeiro toque de sua língua foi um choque elétrico, uma lamida longa e plana da base até o topo. Eu gritei, minhas mãos voaram para sua cabeça, não para puxar, mas para me ancorar. Ele não se apressou.
Ele provou. Lambeu com a mesma devoção com que havia beijado meus s***s, explorando cada dobra, cada centímetro sensível, até encontrar o c******s novamente. Dessa vez, com a língua.
Ele o envolveu, sugou, massageou com a ponta da língua em movimentos que pareciam decifrar um código secreto do meu corpo. Suas mãos seguraram meus quadris, me mantendo no lugar, enquanto eu me contorcia, incontrolável, no colchão.
A tensão que ele construíra com os dedos agora explodia, multiplicada pela umidade quente e pela habilidade hipnótica de sua boca.
— Por favor… por favor, Victor… — eu supliquei, sem saber mais o que pedia. Por clemência? Por mais? Eu não sabia.
Ele não parou. Aumentou o ritmo, a pressão. Uma de suas mãos soltou meu quadril e deslizou para baixo, dois dedos encontrando minha entrada e deslizando para dentro com facilidade, já que eu estava encharcada, aberta, completamente entregue.
Ele curvou os dedos para dentro, encontrando um ponto dentro de mim que fez as luzes explodirem atrás dos meus olhos. A combinação da língua implacável no c******s e dos dedos atingindo aquele lugar profundo foi a senha final.
O orgasmo não veio como uma onda; veio como um dilúvio. Um tremor surdo, profundo, que começou no meu centro e se espalhou para cada extremidade do meu corpo.
Eu não gritei; soltei um grito abafado, rouco, que se perdeu nos lençóis. Meu corpo arqueou, meus dedos se enterraram em seus cabelos, e eu vibrei, contorci, desmanchei completamente sob a boca e as mãos dele.
Ele não deu trégua, prolongando cada espasmo, lambendo e sugando gentilmente enquanto eu tremia no pico, até o último eco de prazer se dissipar, deixando para trás um corpo mole, pesado, e uma mente em branco, extasiada.
Só então ele subiu, seu corpo cobrindo o meu, seu rosto molhado da minha umidade perto do meu. Seus olhos brilhavam no escuro, com uma expressão de triunfo tão suave, tão profunda, que me doeu no peito.
Ele não entrou em mim. Apenas se acomodou entre minhas pernas, sua ereção duríssima pressionando minha carne sensível, e me envolveu em um abraço tão apertado que quase não havia ar entre nós. Seu rosto se enterrou no meu pescoço, e eu pude sentir as batidas fortes do coração dele contra o meu peito.
— Quarta, — ele respirou, a palavra quente contra minha pele.
E, pela primeira vez na vida, eu me senti verdadeiramente venerada.
(…)
Acordei com a luz entrando devagar pelas frestas da cortina e a sensação estranha de não estar sozinha — mas também de não precisar fugir.
O corpo ainda carregava vestígios da noite, um cansaço bom, uma memória quente que não vinha em imagens, vinha em sensação. Segurança. Presença. Algo que não me pedia nada além de ficar.
Victor estava de lado, de costas para mim, respirando fundo, o braço jogado por cima da minha cintura como se tivesse decidido que aquele era o lugar dele. Não era posse. Era hábito recém-nascido.
Fiquei alguns minutos só observando. O contraste ainda me quebrava: o homem que mandava no morro dormindo daquele jeito tranquilo, quase vulnerável. O quarto amplo, silencioso, caro — e, ainda assim, com cheiro de casa vivida, não de vitrine.
Eu me mexi com cuidado, achando que ele ia acordar.
Não acordou.
Levantei devagar, vestindo a camisa dele sem pensar muito. Fui até a parede de vidro e encarei o Rio acordando lá embaixo. A cidade parecia outra coisa vista dali. Menos ameaça. Mais horizonte.