Eu comprei a passagem como quem assina um pacto. Nada de pesquisar com calma, comparar horário, escolher assento pelo conforto. Era objetivo: sair de Paris antes que minha mãe percebesse que eu tinha sumido de verdade. Sair antes que ela transformasse minha ausência em "surto". Sair antes que ela puxasse algum contato, algum médico, algum documento, e fechasse uma porta em cima de mim. Quando minha assistente voltou pro hotel com a mala e a caixinha na mão, eu senti um alívio tão bruto que quase me faltou ar. Ela entrou rápido, trancou a porta atrás de si e colocou tudo em cima da cama como se fosse prova de sobrevivência. — Peguei o que dava sem virar cena. — ela disse. — Seu passaporte tá aqui. Documentos também. E... — ela bateu de leve na caixinha — ...isso aqui eu peguei com carinh

