Um convite perigoso

601 Palavras
Depois que os dois homens desapareceram na esquina, a rua voltou a ficar silenciosa.Apenas o som distante do mar e o farfalhar das árvores quebravam o silêncio da noite. Eu ainda segurava a pequena caixa de madeira contra o peito. — Você parece muito calma para alguém que quase foi intimidada por dois idiotas — comentou Lorenzo. Dou de ombros. — Já vi coisas piores. Lorenzo inclinou levemente a cabeça, observando-a com mais atenção. — Eu imaginei. Havia algo naquele olhar que me deixava desconfortável. Como se ele estivesse tentando decifrar-me — Você analisa todo mundo assim? — pergunto para ele. — Apenas as pessoas interessantes. Eu solto um pequeno riso. — Então deve se decepcionar muito. — Nem sempre. Por um instante, o silêncio caiu entre nós novamente. A luz amarelada de um poste iluminava metade do rosto de Lorenzo, deixando a outra parte nas sombras. Havia algo misterioso nele… algo que me fazia querer ficar ali mais um pouco, mesmo sabendo que deveria simplesmente ir embora. Eu aponto com a cabeça para o carro preto atrás dele. — Você mora por aqui? — Estou passando alguns dias na cidade. — Turista? Um sorriso discreto surgiu no rosto dele. — Algo assim. Eu não acredito totalmente, mas decido não insistir. — Bom… obrigada pela ajuda — digo, começando a se afastar. — Acho que agora posso ir para casa sem escolta. — Espere. Eu paro e olhou para trás. Lorenzo estava com as mãos nos bolsos, observando-a. — Você já jantou? Eu pisco, surpresa. — Isso é um convite? — Talvez. — Você convida estranhas que acabou de conhecer para jantar? — Só quando elas parecem estar tentando fugir do mundo — respondeu ele, repetindo a frase que havia dito mais cedo no porto. Eu não conseguir evitar um sorriso. — E se eu disser não? — Então eu digo que foi um prazer conhecer você e volto para casa. — E se eu disser sim? Ele deu um pequeno sorriso. — Então eu conheço melhor a garota que olha para o mar como se estivesse tentando esquecer o passado. As palavras fizeram algo apertar dentro do meu peito.Por um momento, eu penso em recusar. Aquilo era perigoso. Eu havia prometido a mim mesma que manteria distância de qualquer pessoa que pudesse se aproximar demais. Mas, por algum motivo, olhar para Lorenzo fazia essa promessa parecer… distante. — Só um jantar — eu digo finalmente. Os olhos dele brilharam com um leve triunfo. — Só um jantar. — E em lugar público — acrescentou ela rapidamente.Lorenzo riu. — Você parece achar que eu sou perigoso. Se você soubesse quem eu realmente sou… Eu cruzo os braços. — Eu m*l conheço você. — Justo. Ele caminhou até o carro e abriu a porta do passageiro. — Há um restaurante perto do porto. A vista é bonita e a comida é boa. Eu hesito por um segundo. Algo dentro de mim dizia que aquele momento poderia mudar mais coisas do que deveria.Mas eu entro no carro mesmo assim. Enquanto Lorenzo fechava a porta e caminhava para o lado do motorista, um homem observava tudo do outro lado da rua.Ele estava encostado em uma motocicleta e segurava um telefone. ****** Assim que o carro preto começou a se afastar, ele colocou o aparelho no ouvido. — Senhor… acho que encontrei alguém que o Don vai querer conhecer. Ele olhou para o carro desaparecendo na rua. — Uma garota,informações dizem que se chama Nielly.—E um pequeno sorriso surgiu em seu rosto. — E pelo que parece… o Don já está interessado nela.
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