Depois que os dois homens desapareceram na esquina, a rua voltou a ficar silenciosa.Apenas o som distante do mar e o farfalhar das árvores quebravam o silêncio da noite.
Eu ainda segurava a pequena caixa de madeira contra o peito.
— Você parece muito calma para alguém que quase foi intimidada por dois idiotas — comentou Lorenzo.
Dou de ombros.
— Já vi coisas piores.
Lorenzo inclinou levemente a cabeça, observando-a com mais atenção.
— Eu imaginei.
Havia algo naquele olhar que me deixava desconfortável. Como se ele estivesse tentando decifrar-me
— Você analisa todo mundo assim? — pergunto para ele.
— Apenas as pessoas interessantes.
Eu solto um pequeno riso.
— Então deve se decepcionar muito.
— Nem sempre.
Por um instante, o silêncio caiu entre nós novamente.
A luz amarelada de um poste iluminava metade do rosto de Lorenzo, deixando a outra parte nas sombras. Havia algo misterioso nele… algo que me fazia querer ficar ali mais um pouco, mesmo sabendo que deveria simplesmente ir embora.
Eu aponto com a cabeça para o carro preto atrás dele.
— Você mora por aqui?
— Estou passando alguns dias na cidade.
— Turista?
Um sorriso discreto surgiu no rosto dele.
— Algo assim.
Eu não acredito totalmente, mas decido não insistir.
— Bom… obrigada pela ajuda — digo, começando a se afastar. — Acho que agora posso ir para casa sem escolta.
— Espere.
Eu paro e olhou para trás.
Lorenzo estava com as mãos nos bolsos, observando-a.
— Você já jantou?
Eu pisco, surpresa.
— Isso é um convite?
— Talvez.
— Você convida estranhas que acabou de conhecer para jantar?
— Só quando elas parecem estar tentando fugir do mundo — respondeu ele, repetindo a frase que havia dito mais cedo no porto.
Eu não conseguir evitar um sorriso.
— E se eu disser não?
— Então eu digo que foi um prazer conhecer você e volto para casa.
— E se eu disser sim?
Ele deu um pequeno sorriso.
— Então eu conheço melhor a garota que olha para o mar como se estivesse tentando esquecer o passado.
As palavras fizeram algo apertar dentro do meu peito.Por um momento, eu penso em recusar.
Aquilo era perigoso.
Eu havia prometido a mim mesma que manteria distância de qualquer pessoa que pudesse se aproximar demais.
Mas, por algum motivo, olhar para Lorenzo fazia essa promessa parecer… distante.
— Só um jantar — eu digo finalmente.
Os olhos dele brilharam com um leve triunfo.
— Só um jantar.
— E em lugar público — acrescentou ela rapidamente.Lorenzo riu.
— Você parece achar que eu sou perigoso.
Se você soubesse quem eu realmente sou…
Eu cruzo os braços.
— Eu m*l conheço você.
— Justo.
Ele caminhou até o carro e abriu a porta do passageiro.
— Há um restaurante perto do porto. A vista é bonita e a comida é boa.
Eu hesito por um segundo.
Algo dentro de mim dizia que aquele momento poderia mudar mais coisas do que deveria.Mas eu entro no carro mesmo assim.
Enquanto Lorenzo fechava a porta e caminhava para o lado do motorista, um homem observava tudo do outro lado da rua.Ele estava encostado em uma motocicleta e segurava um telefone.
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Assim que o carro preto começou a se afastar, ele colocou o aparelho no ouvido.
— Senhor… acho que encontrei alguém que o Don vai querer conhecer.
Ele olhou para o carro desaparecendo na rua.
— Uma garota,informações dizem que se chama Nielly.—E um pequeno sorriso surgiu em seu rosto.
— E pelo que parece… o Don já está interessado nela.