Capítulo 2 - Território desconhecido

1054 Palavras
Blair Kinsey Depois de dois analgésicos e algumas horinhas de sono, podia dizer fielmente que Lúcifer tinha abandonado meu corpo levando consigo aquela dor de cabeça infernal. A parte r**m é ter que descer para jantar em família, mesmo estando mais calma eu ainda não queria olhar para a cara do Ronan, porque ele com certeza vai fazer alguma brincadeira i****a sobre o que aconteceu hoje a tarde. Minha mãe já gritou três vezes o meu nome, eu estou enrolando com a escova de cabelo na mão a um bom tempo depois que saí do banho, estou pensando em fingir que dormi de novo. Tantos padrastos bons no mundo, Deus mandou o pai desse i****a, porque é assim que a minha sorte funciona. Assim que comecei a pentear o meu cabelo ouvi passos fortes no corredor, apertei os olhos e bufei em antecipação. Ronan abriu a porta com uma calma irritante, o rosto angulado e bonito com uma expressão serena, não sei como ele consegue ser tão cínico. — Já falei que não quero você no meu quarto — cuspi as palavras ríspidas sem olhá-lo. — Se você parasse de birra e descesse facilitaria muito minha vida, sabe? — incitou, cruzando os braços na altura do peito — Não gosto de ser sua babá. Meu corpo estremeceu de raiva, o que provocou uma risada baixa nele, desgraçado. — Fico feliz em dificultar sua vida — respondi com um sorriso singelo. — Vai ficar feliz quando eu te jogar nos ombros e descer para sala de jantar, se continuar enrolando? — questionou levantando a sobrancelha. — Vou me sentir incrível enfiando minha tesoura no seu olho se tentar — enrolei as pontas do cabelo ignorando mais um dos gritos da minha mãe. Ele jogou a cabeça para cima e resmungou algo que eu entendi ser "tenha santa paciência", então avançou em minha direção. Corri para ir ao lado oposto da cama, mas suas mãos agarram meus tornozelos e me puxaram para a ponta da cama. Eu engoli o seco quando ergui os olhos e vi seu corpo diante do meu, me encurralando. Só se ouvia a minha respiração no quarto, ele estava imóvel, os olhos vidrados em mim, a mão firme em volta do meu tornozelo estava causando formigamento em minha pele. — A propósito, você não parecia odiar quando eu estava aqui dentro hoje mais cedo. Não, não, ele não pode fazer isso comigo. Eu odeio ele. Fiz menção de me mexer para escapar, contudo ele foi mais rápido e cumpriu o que disse, me jogou nos ombros como se eu fosse um saco de batatas e rumou escada abaixo. Me mexer era inútil já que seu braço musculoso prendeu minhas coxas no lugar e aparentemente ele não sentia cócegas, que saco, ele tinha que ser atleta também? — Me põe no chão agora, i****a — esmurrei suas costas. Chegando na sala, ele me colocou no chão, empurrei seu peito com toda força e raiva que possuía, o que não serviu para nada, o que me deixou furiosa. — Qual seu problema? Eu não sou um brinquedinho para você carregar por aí. A boca dele se aproximou do meu ouvido e novamente eu congelei, o que diabos ele pensa que está fazendo? Mexendo com a minha cabeça desse jeito? Se ele me quisesse, certamente conseguiu. — Todos os problemas que puder imaginar, incluindo você — sussurrou e como de costume, me deu as costas e seguiu para a cozinha. Mamãe e Elias estavam pondo a mesa, achei sensato fingir que nada aconteceu e ajudá-los a arrumar os pratos — Está se sentindo melhor? — Elias perguntou, colocando a mão no meu ombro. — Sim, analgésicos fazem milagres — eu sorri para ele. — Acho que vou marcar consulta com o Dr. Atikins, para saber porque anda tendo tantas dores de cabeça assim — mamãe disse enquanto mexia a salada. — Acho que é a raiva que eu ando passando — bati os cílios inocentemente como se não estivesse mandando indireta. — Com o que anda se estressando tanto? — mamãe levantou a sobrancelha. — Pessoas. Ronan riu, discretamente, mas suficiente para eu olhar para ele de olhos semicerrados. Ele abriu aquele sorriso, singelo e bonito, tão natural que evidenciou suas covinhas nas bochechas, inevitavelmente eu observei seus traços bonitos e finos, ele é tão lindo que me dá vontade de morrer por tamanha injustiça. Não entendo minha cabeça, eu não posso ficar mexida com um sorriso, isso é inaceitável, ele é detestável, o que eu estava pensando? Sacudi a cabeça e voltei a ajudar minha mãe com o jantar, me distraí conversando sobre o trabalho dela, não havia tanto a ser dito sobre a escola já que as aulas haviam iniciado apenas a uma semana, as coisas ainda não tinham ganhado menor interesse. Meu padrasto por outro lado achava que tinha muito a conversar sobre a escola com o Ronan, afinal esse ano ele irá assumir a liderança como capitão do time de futebol americano na escola. A cerimônia de iniciação acontece na noite da fogueira, é um evento feito pela escola para dar boas vindas ao time para temporada. Não é grande coisa na verdade, o treinador fala algumas palavras que ninguém escuta, passa a palavra para o capitão antigo e para o que vai assumir, por fim o novo capitão atira acende a fogueira. Como eu disse, não é grande coisa. — Você vai estar na fogueira Blair? — meu padrasto perguntou. Por medo de dizer que não queria ir encher o ego do filho dele ainda mais, eu engoli o seco e assenti. — Claro, vai ser legal — menti. — Por que não tenta uma vaga nas lideres de torcida esse ano? — minha mãe sugeriu. Ronan estava me encarando com expectativa, esperando pela minha resposta. Por que isso iria ser do interesse dele? — Humm, não valeu, não é para mim. Ele ficou ainda mais intrigado com a minha resposta o que me fez levantar a sobrancelha confusa, fiz um gesto com a mão como se perguntasse o que aquilo significava, porém ele apenas negou com a cabeça e virou o tronco para a direção do seu pai. Nunca vou conseguir entender esse garoto. [.........] Nota da Autora: Me sigam no i********: para conhecer mais sobre a história @rbwqueen
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