A chuva havia diminuído, mas o céu permanecia carregado, refletindo o clima sombrio que se espalhava pela comunidade. Leco caminhava pelas ruas estreitas do morro, atento a cada detalhe, cada movimento suspeito. Ao seu lado, Bruno e Thiago avançavam com cautela, mantendo os olhos abertos para qualquer sinal de armamento ou vigilância.
— Aqui ninguém sabe de nada, mas talvez os mais antigos… — sussurrou Bruno, observando as fachadas desgastadas e os becos estreitos.
Leco concordou, lembrando-se de todos os relatos sobre os túneis secretos que cruzavam a comunidade desde os tempos de Bene. Ele sabia que, se alguém estivesse escondendo Maria, aquele seria o lugar mais provável.
Eles chegaram a uma velha esquina, onde alguns moradores, agora com a idade avançada e rostos marcados pelo tempo, observavam o grupo se aproximar com cautela. Leco deu um passo à frente, mostrando a identidade de confiança e a urgência de sua missão:
— Boa tarde, senhor. Preciso de sua ajuda. Antigamente, você conhecia os túneis e passagens escondidas daqui, não é? Preciso de informações sobre… pessoas desaparecidas recentemente.
O homem olhou desconfiado, os olhos revelando a memória de dias turbulentos. Após alguns segundos de silêncio, ele finalmente falou, a voz baixa, como se temesse ser ouvido:
— Talvez eu saiba de algo. Mas não posso falar aqui. Sigam-me.
Eles o seguiram por becos estreitos e m*l iluminados, desviando de lixo, poças de água e paredes grafitadas. Finalmente, chegaram a uma porta escondida, camuflada atrás de um barraco antigo. O homem abriu uma pequena passagem que levava a um túnel estreito, úmido e escuro.
— Aqui é um dos caminhos antigos, usado para fugir ou se esconder nos dias de conflito — explicou o velho. — Não é seguro, mas é pouco conhecido. Se alguém estivesse escondendo uma garota, poderia muito bem estar aqui.
Leco acenou, absorvendo cada detalhe. Ele sentiu o peso da responsabilidade nos ombros; Maria estava em algum lugar próximo, mas a incerteza e o perigo eram esmagadores.
Enquanto caminhavam pelo túnel, ouviu-se um som abafado vindo de uma passagem lateral. Um pedaço de pano preso à parede tremia levemente, indicando que alguém havia passado recentemente. Leco se aproximou, iluminando com a lanterna e examinando cada centímetro.
— Olhem isso… — disse ele, apontando para marcas de sapatos e arranhões recentes. — Alguém esteve aqui há pouco tempo.
Bruno e Thiago se entreolharam, o coração acelerado. Pela primeira vez, havia uma pista concreta de Maria, um fio que poderia conduzi-los até ela.
O túnel se aprofundava, e a sensação de urgência aumentava a cada passo. O silêncio era interrompido apenas pelo som da água pingando e pelo eco de seus próprios passos. Leco sabia que cada segundo contava; Milena e seus capangas poderiam ter percebido a movimentação e aumentado a busca dentro da favela.
Finalmente, chegaram a uma bifurcação. O velho os alertou:
— Um caminho leva para um barraco mais antigo, outro se perde embaixo de um terreno abandonado. Sigam pelo barraco primeiro, mas cuidado… nem todos os caminhos são seguros.
Leco respirou fundo, ajustando a arma e lembrando-se da promessa trazê-la de volta, custe o que custar. Cada passo naquele túnel era uma mistura de esperança e medo, mas agora havia algo palpável — sinais recentes, pistas concretas.
— É aqui que vamos começar. — disse Leco, firme. — Maria está viva, e vamos encontrá-la.
Bruno assentiu, consciente do perigo, mas confiante na determinação do amigo. Thiago olhou para o túnel à frente, o ar úmido e pesado, e sentiu o peso da responsabilidade sobre todos eles. Cada momento poderia ser decisivo, cada decisão, crucial.
Enquanto avançavam, o velho apenas murmurou:
— Tomem cuidado. A favela mudou muito desde que eram jovens… e quem está escondendo essa garota não vai facilitar.
Leco, Bruno e Thiago continuaram, o coração acelerado, o suspense crescendo a cada passo. E naquele túnel escuro, úmido e silencioso, a primeira pista de Maria se tornava o fio que podia finalmente quebrar o véu de mistério e revelar onde ela estava, dando início à corrida mais perigosa de suas vidas.