O retorno de Guilherme ao Brasil foi silencioso, mas o que trazia na mente rugia como um trovão. Ele havia estado em Barcelona por semanas, atrás de respostas que pareciam dançar nas sombras — e todas, de alguma forma, voltavam ao mesmo nome: Mallardo. Solange estava à sua espera quando ele entrou no escritório da cobertura. A mulher parecia esculpida em mármore: fria, firme, impossível de decifrar. — Voltou antes do previsto — comentou ela, sem tirar os olhos dos papéis à mesa. — E com mais perguntas do que respostas — respondeu ele, a voz tensa. — Preciso entender, Solange. Quem é você realmente? Ela ergueu o olhar. A pergunta que ele vinha engolindo há meses, talvez anos, finalmente havia sido dita. — E por que a curiosidade agora? — provocou, cruzando as mãos. — Achei que não s

