Desaparecidos

616 Palavras
Bruno avançava pelo túnel úmido, a luz da lanterna tremendo contra as paredes de pedra e lama. Leco e Thiago seguiam logo atrás, mantendo silêncio, atentos a qualquer sinal. Cada passo levantava pequenas nuvens de poeira e folhas secas, mas nada indicava a presença de Maria. Até que Bruno parou abruptamente, o olhar fixo no chão. Entre pedaços de entulho e sujeira, algo chamava sua atenção. Era um vestido familiar, com cores que ele imediatamente reconheceu. Seu coração acelerou, o peito apertando. — Esperem… — sussurrou, quase sem ar. — Esse é o dela. Leco se aproximou, examinando o vestido com cuidado. — É pequeno demais pra ser de adulto comum. — Murmurou, confirmando a suspeita de Bruno. Thiago se inclinou, a expressão tensa. — Então… ela esteve aqui. Bruno se agachou, segurando o tecido entre os dedos, sentindo a textura delicada. Um misto de medo e esperança o dominava. O vestido era uma pista concreta: Maria estava em algum lugar próximo, mas quem a tinha poderia não permitir que ela saísse. O silêncio voltou ao túnel, pesado, quebrado apenas pelo som de respirações e passos que ecoavam contra as paredes. Bruno levantou-se, o olhar decidido. — Achamos uma pista. Agora precisamos descobrir quem a levou — disse, a voz firme, mas carregada de preocupação. Leco e Thiago trocaram olhares. Sabiam que a missão acabava de ficar ainda mais pessoal, e que cada minuto poderia ser crucial para salvar Maria. Dois meses se passaram desde que Bruno encontrara o vestido de Maria no túnel. Cada pista parecia levá-los a becos sem saída. Guilherme permanecia desaparecido há três meses, e o peso da ausência de ambos pressionava Bruno e Thiago a cada passo. A cada túnel inspecionado, cada passagem estreita e úmida, o vazio parecia se aprofundar, como se Maria e Guilherme tivessem evaporado da face do morro. Milena, impaciente e furiosa, decidiu que precisava assumir o controle direto das buscas. Ordenou uma reorganização total dos turnos de seus soldados, garantindo que cada túnel, cada fresta, cada passagem conhecida da comunidade fosse revistada sem descanso. Não havia folga, não havia pausa. Ela própria supervisionava os mapas das galerias subterrâneas, marcando zonas já vasculhadas e ordenando que ninguém ficasse parado. — Troquem de turno agora! — berrou Milena, a voz firme ecoando pelo pátio da base. — Quero todos os túneis inspecionados, não deixem um canto sem olhar. Cada segundo conta. Os soldados, tensos, obedeciam. A pressão era intensa, o medo da fúria da Soberana sempre presente. Bruno, ao lado de Leco e Thiago, mantinha-se atento, observando os movimentos e tentando antecipar qualquer pista. O vestido de Maria ainda queimava na memória de Bruno, uma lembrança concreta da presença dela em algum lugar próximo, mas também do perigo que corria. Enquanto os soldados se revezavam, revisitando cada galeria e cada túnel, Milena não escondia sua obsessão. Seus olhos escaneavam cada detalhe, cada sombra, como se pudesse farejar a filha perdida. Mas, apesar do controle absoluto que impunha, a mente dela se confundia entre raiva, medo e desespero. Cada passo errado dos soldados era motivo de gritos e humilhações públicas. Bruno, Leco e Thiago sabiam que o tempo estava contra eles. A cada nova inspeção, a tensão aumentava, e a certeza de que Maria poderia estar em perigo real os impulsionava a ir mais fundo, a correr mais riscos. O morro, já silencioso pela noite, parecia observar cada movimento. A chuva fina começava a molhar os corredores, tornando a caminhada pelos túneis ainda mais escorregadia e perigosa. Mas ninguém hesitava. O desaparecimento de Maria não era apenas um mistério; era uma corrida contra o tempo, onde cada segundo contava para salvar a jovem antes que algo irreversível acontecesse
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