FELIX SANTORI Lisa se aninha em meu peito, o corpo pequeno buscando o abrigo que só encontra em mim. Ela está calada desde que voltou da conversa com o Arthur. Mesmo curioso — e desconfiado — decido não perguntar nada. Se quiser me contar, ótimo. Se não, vou respeitar seu silêncio. O que importa agora é tê-la aqui. Passo os dedos devagar pelos fios do seu cabelo, sentindo o cheiro adocicado que me vicia. Meus olhos descem até sua barriga, que já exibe os sinais doces da nossa criação. Quase quatro meses. Na próxima semana, vamos descobrir se é uma menina ou um menino. Estou ansioso. Mas mais do que isso, estou rendido. Sinto sua respiração desacelerando contra meu peito, até que sua voz baixa rompe o silêncio: — Eu te amo. Meu coração aperta. — Também te amo, linda. — respondo, beija

