Lisa Hernandes O jantar correu bem. Quer dizer... tecnicamente. Arthur fez de tudo para me agradar: piadas, sorrisos, elogios. Escolheu um restaurante romântico, pediu meu prato favorito e até me serviu vinho. Mas, por dentro, eu me sentia... deslocada. Como se estivesse em um encontro com um estranho que insiste em lembrar de mim melhor do que eu mesma. — Vamos? — ele perguntou ao final, já levantando da mesa. — Sim. — Espero que tenha gostado do nosso jantar. — Gostei bastante, obrigada. — forcei um sorriso educado, mesmo com a alma inquieta. Ele pagou a conta e saímos. A noite estava fria, o vento cortava a pele com delicadeza. Sem pensar muito, Arthur tirou sua jaqueta e me ofereceu. Aceitei com um aceno silencioso, vestindo a peça que ainda carregava seu cheiro familiar. No c

