Gabriel
A conversa com a Vanessa foi melhor do que eu esperava, saber que ela se apaixonou por mim no mesmo momento em que eu comecei a amar ela, naquele tiroteio quando os meninos do morro do macaco invadiram a favela ela tinha acabado de passar na barreira da favela antes que ela chegasse na quadra o tiroteio começou e a vi em um beco encolhida e assustada, a peguei e coloquei meu colete nela, e entrei em um beco escuro e entrei em uma casa abandonada com ela...
- Não sai daqui até eu voltar, ouviu eu vou voltar pra te buscar... Naquele momento eu tava saindo, ela me abraçou por trás tremendo de medo...
- Gabriel, por favor, não me deixe aqui sozinha, eu tô morrendo de medo... Ela falou tremendo, eu me virei e a abracei passando a mão em seus longos cabelos pretos...
- Eu preciso ir, me dá cinco minutos e eu volto, eu prometo me espera aqui.... Falei dando um beijo na testa dela para vê se ela se acalmava, sai correndo com uns vapores meus que estavam no beco que vieram me acompanhando desci e peguei uma moto subi pela boca e já tinham pneus sendo queimados pelas ruas, cheguei em casa e vi Isa por trás do balcão da cozinha com as mãos no ouvido, a peguei e subi com ela no colo pro meu quarto, abri o cofre que tinha ali escondido dentro do closet e a deixei, o cofre tinha uma cama uma cozinha pequena e uma TV, fiz esse cofre assim que assumi o morro pra proteger ela tinha como abrir por dentro mais só podia abrir depois de vinte quatro horas, dentro do cofre ela tinha acesso as câmeras de algumas ruas do morro, da casa e da boca, pra saber o que tava acontecendo...
- Papai já volta, me espera aqui!... a beijei e sai do cofre trancando ele...
Sai de casa subi na moto e deixei dois menor vigiando a casa por dentro dos muros que cercavam a mansão pra entrar aqui só com tanque de guerra o muro tinha cinco pilastras de tijolos e concretos reforçados, cerca elétrica de arames farpados pra matar passarinho ou elefante se precisasse, armamento com mira que com um botão faz estrago, a mansão é uma verdadeira fortaleza mais também uma bomba relógio que com um botão faz um estrago até em um tanque, peguei o rádio e passei a visão pros menor....
- Mata geral nesse caralh*, quero três vivos, não sobra ninguém nessa porr*, os meus que morrerem eu mato de novo, tem meia hora pra acabar essa palhaçada e todo mundo na boca...
Ligo a moto e saio pra casa abandonada, cheguei lá ela tava em um canto chorando assustada quando me viu veio correndo e me abraçou e eu passo a mão no cabelo dela e a abracei pra acalmar ela senti o cheiro do cabelo dela, foi o melhor cheiro que já senti na vida, o cheiro dela aguçou meus sentidos e ali só veio a sensação de fud*u parceiro, afastei um pouco, e me sentei no chão onde ela tava perto da mochila dela, e a coloquei no meu colo ela cabia perfeitamente ali, era a medida perfeita pra mim e ali aquela novinha desarmou o bandido, ela se aninhou no meu colo me abraçando e por algum motivo ela dormiu de tanto desespero, aos poucos os batimentos dela foi desacelerando e sua feição relaxando aos poucos, fiquei ali fazendo carinho nela com os olhos fechados ouvido os tiros me sentindo imponente por não estar a frente do meu morro, mais ao mesmo tempo com ela nos meus braços era a única coisa que eu queria e precisava, ali eu já tinha certeza, eu queria ela pra ser minha e ela seria minha pro resto da vida...
VANESSA DOIS ANOS ATRÁS...
Depois de sair do colégio fui fazer um trabalho na casa de umas amigas, o trabalho demorou muito quando subi pra favela já estava quase escurecendo, o tempo estava nublado e um pouco gelado, quando tava passando pela barreira antes que chegasse na quadra começou os fogos que o morro tava sendo invadindo, assim que os fogos explodiram no céu os primeiros tiros vieram corri pra algum canto não sei onde meu celular tocando era meu pai....
- Vanessa, onde você tá? não sobe pra favela agora, depois o pai te busca... A ligação caiu estava sem sinal, toda vez que o morro era invadido as comunicações eram cortadas só os rádios dos meninos do morro funcionavam, continuei encolhida em algum canto, se passaram alguns minutos e Gabriel chegou em mim, me senti aliviada me levou pra um lugar seguro e me deixou lá por alguns minutos, me sentei no chão com a mochila coloquei o celular dentro dela, e fiquei no chão chorando com os ouvidos tampados até que ele voltou, o abracei ele ele me pegou no colo e sentou no chão comigo, o desespero era tanto que dormi mesmo com os tiros lá fora me sentia segura no colo dele, aquele perfume amadeirado aquele carinho pra me tranquilizar, mudou algo em mim, o fato de ele ser o dono do morro e ter deixado tudo pra me proteger me fez olhar ele com outros olhos, com amor, os tiros pararam em algum momento, acordei com o rádio dele tocando alguém falando do outro lado...
- Coe patrão a limpa tá feita já tão tirando os corpos das ruas, dos nossos só o fuzil tomou um tiro na perna já foi pro postinho, sobrou dois já tão na boca... O menino fala com ele do outro lado da linha...
- Vou desenrolar um bagulho aqui daqui a pouco colo aí jae... Ele fala e desliga o rádio...
- Vou te levar em casa pra ter certeza que tá segura.. ele fala e me levanta, ele pega minha mochila e segura minha mãe e saímos da casa abandonada, ele sobe na moto com minha mochila no braço e eu subo na garupa e o abraço por trás e apoio minha cabeça nas costas dele me sentindo aliviada ele me deixa em casa me entrega a mochila me dá um beijo na testa e sai.. Desde então ele é dono do meu coração, dos meus pensamentos e sonhos e de todo meu amor...