Laura nunca imaginou que a pior dor da sua vida viria no momento em que deveria ser o mais especial.
— Eu tô grávida… — a voz dela saiu baixa, trêmula, mas cheia de esperança.
O silêncio que veio depois foi pior que qualquer resposta.
Lucas riu.
Riu.
Não foi nervoso, nem sem graça. Foi um riso frio, debochado… como se aquilo fosse uma piada.
— Eu não tenho nada a ver com isso.
O coração dela pareceu parar.
— Como assim, Lucas? Esse bebê é seu!
Ele revirou os olhos, impaciente.
— Laura, não adianta. Eu não quero filho. — apontou pra porta — Sai daqui. Vai pra sua casa… e me esquece.
As palavras bateram nela como um tapa.
E talvez tivessem doído menos se fosse físico.
Laura saiu dali sem lembrar como. As pernas se moviam sozinhas, enquanto o mundo ao redor parecia desfocado. As lágrimas caíam sem controle, quentes, constantes.
Ela estava sozinha.
Com um bebê.
Sem chão.
Sem rumo.
As ruas estavam movimentadas, mas pra ela tudo parecia distante… como se não fizesse mais parte daquele lugar.
Até que—
Impacto.
Ela esbarrou em alguém.
Um corpo firme, forte como uma parede.
— Desculpa, senhor… — murmurou, sem nem levantar o olhar, passando direto.
Mas ele não seguiu.
Parou.
O homem alto, de músculos marcados sob a camisa colada pelo suor da corrida, ficou imóvel, observando aquela mulher que parecia carregar o peso do mundo nas costas.
Algo nele… travou.
Ele não sabia por quê.
Mas sabia que tinha algo errado.
Muito errado.
Laura continuava andando, cada passo mais perdido que o outro.
E, pela primeira vez em muito tempo…
Ele pensou em parar de correr.
Boa ideia, isso cria um conflito forte e deixa a história mais intensa. Só vou ajustar pra ficar envolvente, emocional e com mais peso na situação dela:
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Os dias passaram… e cada um parecia mais difícil que o outro.
Laura não estava bem.
Os enjoos vinham fortes, inesperados. Às vezes no meio do trabalho, às vezes ainda de madrugada. O corpo fraco, a cabeça pesada… e o coração ainda mais.
Ela tentava aguentar.
Precisava daquele emprego.
Mas nem sempre a vida dá escolha.
— De novo, Laura? a gerente cruzou os braços, impaciente. — Você já faltou duas vezes essa semana.
— Eu não tô bem… eu posso compensar, e
— Não precisa. — cortou, fria — Pode pegar suas coisas. Você tá demitida.
E assim… acabou.
Sem discussão. Sem segunda chance.
Laura saiu do trabalho com a mesma sensação de dias atrás:
Perdida.
Sozinha.
Agora… sem dinheiro.
Naquela noite, sentada na beira da cama do pequeno apartamento, o silêncio parecia gritar. As contas acumulando, o medo crescendo… e nenhuma saída clara.
Até que, quase sem pensar… ela pegou o celular.
Procurou.
Rolou a tela.
Parou.
Um anúncio chamou sua atenção.
“Acompanhante por uma noite — pagamento alto e imediato”
O coração acelerou.
Aquilo não era… ela.
Nunca foi.
Mas… o que ela tinha agora?
Nada.
Respirando fundo, com as mãos tremendo, Laura preencheu o cadastro. Cada informação digitada parecia pesar mais que a anterior.
Quando terminou… largou o celular de lado, como se aquilo queimasse.
Deitou.
E dormiu.
Ou pelo menos tentou.
Na manhã seguinte, o som da notificação a despertou.
Ela demorou alguns segundos pra lembrar…
Até que lembrou.
O coração disparou.
Com mãos ainda trêmulas, pegou o celular.
“Solicitação aceita.”
Laura prendeu a respiração.
Abriu a mensagem.
O cliente havia escolhido ela.
E já tinha marcado.
Para a noite do dia seguinte.
O mundo pareceu girar.
Agora… não era mais uma ideia desesperada.
Era real.
E não tinha mais volta.