Capitulo 8

1167 Palavras
Capitulo 8 *** Camila - Olhos de quem? pergunto sem entender. - Olhos sonhadores como os de sua mãe. - Desculpe, mas acho que está me confundindo com outra pessoa. Minha mãe faleceu há 18 anos. - Você é filha da Sophie. Eu jamais me confundiria, a reconheceria em qualquer lugar. - Como a senhora conheceu a minha mãe? - Quando ela veio da França, estava sozinha e sem lugar para ficar. Eu e meu marido Conrado que é o dono dessa lanchonete a abrigamos em nossa casa e ela começou a trabalhar aqui como garçonete. Claro! Isso faz sentido. O senhor Henry havia me falado no enterro que a conhecera numa lanchonete em frente a empresa. - Ela era uma jovem muito especial. Encantava todos os clientes. Era gentil e carinhosa. Sempre estava com um livro nas mãos. Ela trabalhou aqui por três anos até que conheceu o seu pai e se casou com ele. A propósito eu sou a Lucy. Qual o seu nome? - Me chamo Camila. É um prazer conhecê-la. - Fiquei sabendo de seu pai. Eu sinto muito. Eu sempre via vocês dois passando aqui em frente. Me diga como você está. Posso me sentar com você? - Sim. As coisas estão um pouco difíceis no momento mas irão se resolver. Pelo que parece eu não herdei nada do meu pai e agora estou sem nada. Nem onde morar eu tenho. - Não acredito. Seu pai sempre pareceu te amar muito. Deve haver uma razão para ele ter tomado essa atitude. - Quanto ao seu amor eu não tenho dúvidas. Ele sempre me amou. O que eu quero entender é a razão dele deixar seus bens só para sua esposa e sua enteada. Eu estou perdida dona Lucy. Tenho tentado ser forte mas só Deus sabe o quanto está sendo difícil. Preciso de um banho e colocar os pensamentos em ordem. - Há minha querida! Tão nova e já está passando por tanta coisa! Eu amava sua mãe como uma filha e sinto que você é especial. Eu não tenho muito o que lhe oferecer mas quero te ajudar. Já estou velha e cansada, você poderia trabalhar aqui no meu lugar. Não podemos pagar muito pois como pode ver somos uma lanchonete simples e as pessoas só querem as mais sofisticadas. Ao lado da nossa casa há algumas kitinetes para serem alugadas. Não estão em perfeito estado mas o aluguel é bem baixo. Com o seu salário vai dá para pagar e sobrar um pouquinho. Isso se você aceitar. Estou sem palavras. Sinto meus olhos se inundarem. Depois de tantos acontecimentos ruins era até difícil de acreditar que algo estava dando certo. - Vai dá tudo certo minha filha. Você ainda vai ser muito feliz. Coma algo e depois eu vou te mostrar como será seu trabalho. Afinal, amanhã será seu primeiro dia. Pareço que vou explodir de tanta alegria. Finalmente posso acreditar que tudo vai melhorar. Depois de comer ela me mostra como será meu trabalho. Ficarei no caixa e quando tiver um movimento maior ajudarei a servir as mesas. Parece simples mas já estou nervosa. Espero que dê tudo certo. Esse será meu primeiro emprego. Vou trabalhar aqui assim como minha mãe trabalhou. O mais dificil será olhar pelo vidro e ver a minha tão amada empresa. Vou trabalhar com mais três pessoas: a Brenda e a Cris, garçonetes, e o Matteo cozinheiro. Todos me pareceram ser boas pessoas. Logo depois a dona Lucy me levou até um dos kitinetes. Como a dona era sua conhecida, foi muito fácil alugar. Pego as chaves e subo as escadas ansiosa para conhecer o lugar. Havia várias outras kitinetes. Pego a chave e abro a porta. Bom, não era o que eu esperava mas tudo bem. O lugar devia ser menor do que o banheiro do meu antigo quarto. Mas eu não me importo. Essa agora é a minha realidade. Tenho que me acostumar. O lugar tem um cômodo que só cabe uma cama, um banheiro e uma sala junto com a cozinha. Precisa urgente de uma reforma. Pelo menos uma pintura mas isso não é prioridade agora. Os móveis são antigos mais bem conservados. Na minha primeira folga no domingo terei que fazer uma faxina. Já havia anoitecido e já não tinha mais como deixar para depois. Eu preciso ir buscar as minhas coisas. Eu não quero ter que encontrar aquelas duas tão cedo. Voltar naquela casa que me traz tantas recordações é doloroso. Se passaram três dias que meu pai faleceu mas a saudade que eu sentia era tanta que parecia que eu não o via há anos. Não tem como adiar mais. Preciso ir. Preciso das minhas roupas para tomar um banho e preciso pegar os livros que herdei. Desço do taxi na porta da minha antiga casa e peço ao motorista para me esperar. Na entrada há alguns carros de luxo o que me faz pensar que estão recebendo visitas. Não quero nem ver aquelas duas. Toco o interfone que é atendido por Flora nossa empregada. Fico feliz que tenha sido ela. - Ei, Flora! Sou eu Camila! Abra a porta para mim por favor. Eu só vim buscar as minhas coisas. - Menina Camila! Já estou indo aí. A espero sem entender porque ela não abriu a porta para que eu entrasse. Logo ela aparece segurando uma caixa com os livros e uma mala. Ela me olha parecendo envergonhada e diz: - Menina, me desculpe por não deixá-la entrar. Dona Miranda proibiu sua entrada. Nem suas coisas ela me deixou pegar. Disse que você só tem direito a essa caixa de livros. Essa mala de roupas eu peguei escondido. Se ela souber, ela me manda embora. - Mas não é possível! Tá de brincadeira, só pode ser! Onde elas estão? - Hoje é o noivado da senhorita Tamara com o tal do Arthur Mitchell. Me parece que vão se casar para unir as empresas. Elas me matam se algo der errado nesse jantar. - Me desculpe, Flora. Mas já aguentei muita coisa. Ela já me proibiu de entrar na empresa mas me impedir de levar minhas roupas já é demais. A que ponto elas chegaram? Eu vou entrar aí de qualquer maneira, não deixarei saberem que foi você. Nem dei chance da coitada responder e fui entrando. É briga que elas querem, é briga que elas terão. Caminho pelo imenso jardim tremendo de ódio. Eu vou estragar esse jantar e é agora. Vou entrando pela casa e me dirijo para a sala de jantar principal. Já entro dando o meu show. - Escuta aqui suas vigaristas!! Quem vocês pensam que são para me impedir de pegar as minhas coisas? De repente todos param e me encaram. Vejo que estão presentes a vaca da Tamara e sua mãe que me olha de boca aberta, William o advogado, o senhor Henry e quando olho para a quinta pessoa presente eu não posso acreditar. Que brincadeira de m*l gosto é essa?
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