Lúcia ainda tremia quando se sentou novamente no sofá. A sala parecia pequena demais, o ar pesado demais, e cada som — o tic-tac do relógio, o estalar dos móveis de madeira — fazia o coração dela pular no peito. Ainda assim, ela entendia a necessidade de falar sobre o que tinha acontecido. O delegado Breno manteve-se em silêncio por alguns instantes, observando-a com aquele olhar firme de quem já ouvira muitos horrores, mas ainda sabia reconhecer quando algo o atingia de verdade. Juliana, ao lado, mantinha a prancheta no colo, o lápis suspenso, esperando apenas o sinal dele para começar a anotar. Para Breno, aquele caso era ainda mais sério, já que envolvia seu amigo Rycon, e nele havia um senso moral que o obrigava a cuidar daquilo o mais rápido possível. Não queria que Arthur machucass

