Cara havia acordado cedo no outro dia. Ela m*l tinha dormido de tanta animação com o seu primeiro dia de trabalho. Olhava-se no espelho e via um brilho nos olhos que havia sumido um tempo atrás, mas que agora estava voltando. Tomou um banho rápido e se arrumou: uma roupa simples, apenas uma calça jeans, uma blusa branca e uma sandália.
— Caiu da cama, foi? — perguntou Lúcia, entrando na cozinha ainda de pijama.
— Desculpa se te acordei — disse ela, sem graça.
— Já estava na minha hora, então está tudo bem — respondeu Lúcia.
— Estava animada, não consegui dormir direito — confessou, corando.
— Você vai se sair bem, não tem com o que se preocupar — disse Lúcia, tranquila.
— Espero que sim. Agora vá se arrumar para tomar café — disse Cara, a expulsando da cozinha.
Cara preparou o café da manhã e montou uma mesa simples para todos. Acordou Gael e arrumou as suas coisas para a escola. Em poucos minutos, todos já estavam à mesa.
— Quer carona? — perguntou Lúcia, terminando sua xícara de café.
— Não, vou de bicicleta — respondeu ela.
— É longe, Cara. Eu não me importo de te dar uma carona — insistiu Lúcia.
— Eu sei, mas preciso aprender a me virar, Lúcia.
— Não vou insistir, sei que é teimosa. Apenas me ligue se precisar de algo — disse ela, já se levantando.
— Vou ficar bem — respondeu Cara, animada.
Depois do café, ela acompanhou o filho até o ponto de ônibus e seguiu para o trabalho com a sua bicicleta. Naquela manhã, o esforço que fazia não era nada perto da animação de ter conseguido um emprego. Cara já se via com um cantinho só seu e de Gael, e faria de tudo para manter aquele trabalho.
Ao chegar, guardou a bicicleta e entrou na empresa com um largo sorriso. Estava admirada com a beleza e o cuidado com os detalhes no hall de entrada.
— Bom dia, como posso ajudá-la? — perguntou a recepcionista.
— Oi, bom dia. Eu sou a nova assistente pessoal do César — respondeu ela.
A recepcionista olhou para ela com uma expressão chocada ao ouvi-la se referir ao vice-diretor daquela forma.
— O senhor Vasquez não gosta que o chamem assim, senhorita — disse, um pouco sem graça.
— Eu não...
— Não precisa se preocupar com isso, Cara — disse César, entrando na empresa. — Pode me chamar de César, para mim não será nenhum problema.
— César, eu não quero causar problemas para você — disse Cara, sem graça.
— E não vai. Acho que já nos conhecemos o suficiente para você poder me chamar apenas pelo primeiro nome — disse ele, sorrindo.
— Se você insiste — respondeu Cara.
— Sim, eu insisto. Agora vamos tomar um café, assim aproveito para te explicar as suas funções — disse ele, gesticulando para que ela o seguisse.
Cara sentia o rosto queimar ao notar a forma como as pessoas os olhavam.
— Não ligue para eles. Em breve se acostumarão com você — disse César, percebendo o desconforto dela.
Eles seguiram para o refeitório. César pegou um café e Cara outro. Sentaram-se em uma mesa mais afastada dos outros funcionários.
— Primeiro, Cara, preciso que entenda que trabalhará para mim, mas também estará sempre disponível para o meu filho e o que ele precisar — disse César.
— O que eu preciso fazer, César? Não tenho problema em trabalhar com outra pessoa.
— Como minha assistente, sempre que eu não puder participar de uma reunião, você irá no meu lugar, assim como em encontros com acionistas. Mas estou te dizendo isso porque meu filho tem um gênio difícil, e você precisará ter paciência com ele — respondeu César, um pouco sem graça.
— Tudo bem, César. Eu entendo.
Cara não se importava com quem era o filho de César. Ela faria de tudo para manter o seu trabalho.
— Isso é bom. Meu filho é o CEO desta empresa, então você terá muito contato com ele.
— Farei o que puder para ajudar, César — disse ela com um sorriso no rosto.
— Apenas me prometa que não vai desistir depois de conhecer meu filho — pediu ele, com um sorriso sem graça nos lábios.
— Prometo. Não vou abrir mão desta oportunidade — respondeu ela, decidida.
César lhe ofereceu o dedo mínimo, e, com um sorriso, Cara uniu o seu dedo ao dele.
— Temos um acordo, garota — respondeu ele, satisfeito.
— Temos — respondeu ela.
Eles passaram mais um tempo conversando. César contou a Cara o que esperava de seus serviços, assim como explicou como as coisas funcionavam por ali. Cara lutava para guardar tudo na cabeça. Depois, seguiram para o escritório de César, que ficava de frente para o do CEO.
— Essa será sua mesa — disse César, mostrando a mesa na entrada de sua sala. — E aquela é a Ivy. Ela vai te ajudar com o que precisar.
Ele fez sinal para que Ivy se aproximasse deles.
— Bom dia, senhor Vasquez. Do que precisa? — disse ela, de forma polida.
— Ivy, essa é a Cara. Ela será minha assistente pessoal e preciso que a ajude com os seus afazeres. Vou deixar parte do treinamento dela em suas mãos.
— Farei o meu melhor para ensiná-la, senhor — respondeu ela com um sorriso. — É um prazer, Cara.
— O prazer é meu, Ivy. E obrigada por sua ajuda.
— IVY!!!!!! — O som de uma voz gritando dentro do escritório chegou até eles. — Eu não te pago para ficar de conversa! Venha aqui agora!
A secretária se encolheu diante daquela voz e, um pouco trêmula, partiu para a sala do CEO. Cara observava com os olhos arregalados o que havia acontecido.
— Esse é meu filho. Em breve você vai conhecê-lo — disse César, constrangido. Ele só esperava que Cara não saísse correndo quando tivesse que trabalhar com Rycon.