O Retorno à Casa

1043 Palavras
Rycon empurrou a porta de casa com mais força do que pretendia, largando o casaco sobre o sofá da entrada. Ainda antes de atravessar o corredor, ouviu a televisão ligada na sala. Quando entrou, encontrou César sentado confortavelmente, uma manta sobre as pernas e um sorriso tranquilo no rosto. Nada jamais afetava seu pai, e Rycon tinta inveja daquele espírito manso e controlado que César possuía, algo bem diferente de seu temperamento mais agitado. — Finalmente em casa, filho. — disse César, com aquele tom sereno que só servia para irritar ainda mais Rycon. Rycon franziu o cenho. Apenas se lembrar da reunião que tinta tido o fazia ferver de raiva novamente. — Não me olhe assim. Sei que já percebeu que alguma coisa correu m*l. — Diz Rycon se jogando no sofá com um suspiro pesado. César inclinou-se ligeiramente, apoiando o queixo na mão boa. — Só de olhar para a sua cara eu já sei. Vamos lá, o que foi desta vez? Aquilo para César era corriqueiro, seu filho sempre estava extressado com alguma coisa, e na maioria das vezes preferia lidar com bois bravos do que com os executivos da empresa, mas desde que ele tinha se machucado o fardo do seu filho tinha aumentado, mas César gostava daquela paz que estava desfrutando, ele precisava se afastar um pouco dos assuntos da empresa. Rycon suspirou pesadamente enquanto passava as mãos pelo rosto, uma demonstração clara da sua raiva e estresse. — Tivemos mais uma daquelas reuniões. Sem novidades: os acionistas continuam a remar cada um para seu lado, não há plano sólido e, claro, sobrou tudo para mim. — Ele esfregou a têmpora. — Já nem sei se tenho paciência. Me tiraram da fazenda dizendo que era urgente para ouvir a mesma ladainha de sempre. César riu-se, divertido, o que só fez Rycon cerrar mais os dentes. — Não ria, pai. Não há nada de engraçado nisto. Já temos uma reunião toda semana para lidar com esses assuntos, não sei por que me perturbarem com isso se era algo que podia esperar. — Pelo contrário — respondeu César. — Ver você tão irritado com coisas que eu já sabia que iam acontecer é quase um passatempo. Rycon lançou-lhe um olhar fulminante. Mas no fundo ele já estava acostumado com aquilo, seu pai era um poço de paciência, já ele parecia uma bomba pronta para explodir. — Está se divertindo à minha custa? Excelente. Então me diga: quando vai voltar para a empresa? Preciso desesperadamente de uma folga. César levantou devagar o braço na tipoia, mostrando-o com um ar teatral. — Acha que consigo pegar num simples documento com isto? Estou de recuperação, Rycon. Vai ter que ter paciência. — Paciência?! — Rycon ergueu a voz, começando a gesticular. — Enquanto se recupera, eu é que estou cuidando de tudo sozinho! Se não voltar rápido, vou acabar despedindo metade daquela gente por pura incompetência. Isso se não atirar alguém pela janela. César deixou escapar outra gargalhada, sincera desta vez. Ele sabia que seu filho era capaz disso. Rycon tinha assumido as empresas da família muito sedo, e tinha um dom para os negócios, mas o lado negativo era que a sua paciência era pouco, o que sempre gerava um pouco de dor de cabeça para César lidar, já que ele era mais tranquilo que o filho. — Essa sua cara zangada é igualzinha à de quando era criança e a sua mãe te negava sobremesa. — Diz César o provocando. — Pai! Estou falando sério. — Rycon passou a mão pelo cabelo, frustrado. — Não pode ficar aí sentado eternamente. Ao menos encontra alguém que te ajude até voltar. César endireitou-se, agora com um brilho travesso no olhar. — E perder a oportunidade de te ver berrar com os acionistas toda semana? Jamais. É o melhor entretenimento que tive em meses. Rycon bufou e afundou-se no sofá, exausto. Ele sabia que aquela era um discussão perdida com seu pai. César só fazia o que queria, e no momento ele queria rir as custas de Rycon. — Só você mesmo para achar graça no meu inferno. — Diz Rycon. Ele queria apenas tirar o resto da semana para cuidar das coisas na fazendo, havia muito a ser feito, mas suas constantes idas à empresa tinham atrapalhado os seus planos. — É isso que os pais fazem, filho. — César sorriu, quase paternal demais para o estado de espírito do filho. — E não se preocupe. Assim que este braço estiver bom, volto e ponho ordem na casa. — Espero que sim, porque da próxima vez levo uma caixa de demissões já pronta. — Rycon fechou os olhos, resmungando. — Nunca pensei que gerir uma empresa com gente tão desorganizada fosse pior do que lidar com os peões da fazenda. César levantou-se com alguma dificuldade, caminhou até ele e deu-lhe um leve tapinha no ombro bom. — Enquanto isso, vai treinando a sua paciência... porque, meu caro, você ainda vai precisar de muita. — diz rindo. — Achei que com o tempo ficaria mais fácil cuidar dos negócios, mas eu estava errado. — Você ainda é jovem filho, tem muito o que aprender. — Diz César enquanto ia até o bar se servia uma dose de licor para Rycon. — Pelo que vejo o seu braço não está tapo r**m assim. — Diz Rycon com a sobrancelha arqueada. — Apenas escolho as minhas prioridades. — Diz César dando de ombros. — Vou ligar amanhã na empresa e organizar a sua agenda novamente, acredito que não terra mais problemas. César não era apenas o braço direito de Rycon, era ele que organizava os seus compromissos, mas desde que tinha se afastado aquilo tinha sido delegado a uma secretaria, mas ao que parecia ela não conhecia bem o CEO para saber organizar as suas prioridades. — Agradeço se fizer isso pai. — Responde ele massageando os olhos de forma cansada. — E seu dia, como foi? — Acredita que o pneu da caminhonete furou e uma mulher trocou para mim? — Pergunta ele com um sorriso de canto. — Precisa me contar essa história direito. — Diz Rycon interessado. — Claro, acho que vai gostar. — Diz César começando a contar i que tinha acontecido.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR