O som suave das cigarras misturava-se à brisa morna que entrava pela varanda. Cara despertou lentamente, sentindo o leve balançar da rede e o calor de um corpo ao seu lado. Piscou algumas vezes, meio confusa — fazia tanto tempo que não dormia assim, profundamente, sem sonhos agitados, sem o peso do cansaço no peito. Virou-se um pouco, apoiando a cabeça no ombro de Rycon, e percebeu que ele já estava acordado. O olhar dele, sereno e cheio de ternura, estava fixo nela. Não havia pressa nem cobrança — apenas um carinho silencioso que a fez corar de leve. Cara jamais imaginou algo como aquilo em sua vida, a sua mente a lembrava constantemente de que ele era seu chefe e de que ela deveria ficar longe do alcance das suas mãos, mas de alguma forma sempre acontecia o contrário do que ela queria.

