Susto

956 Palavras
Cara estava no escritório de César acertando os últimos detalhes que faltavam da parceria que ele desenvolveria com Luka. O empresário tinha ficado impressionado com o desenvolvimento do setor de pesquisa que Rycon e seu pai possuíam ali e estava disposto a investir uma pequena fortuna para que a ideia desenvolvida ali pudesse ser expandida para outros mercados. Olhando o arquivo que estava em suas mãos, Cara buscava alguma possível falha que viesse a causar problemas, mas não tinha encontrado nada. O arquivo havia sido examinado de forma minuciosa e, a seu ver, estava perfeito. Ela precisava apenas que César desse uma olhada e confirmasse o envio do mesmo para Luka. Cara pegou o arquivo e saiu em busca de César, um sorriso no rosto ao saber que o seu trabalho tinha sido feito de forma correta. — Viu o César, Marta? — perguntou ela ao cruzar com a senhora no corredor. — Ele está com os outros na piscina, querida. Gael também está lá. — respondeu ela. — Obrigada. — disse Cara, partindo para a área de lazer que havia ali. Assim que chegou à porta, encontrou a bagunça que estava o lugar. O silêncio havia dado lugar ao som de risos vindos da piscina, assim como o barulho da água. Cara percorreu o lugar com o olhar até encontrar seu filho na piscina com Rycon. O seu sangue gelou ao ver Rycon lançar Gael na água. Sem pensar, Cara largou tudo e, com um grito, pulou atrás do filho. Na pressa de salvar Gael, Cara se esqueceu de um detalhe crucial: ela não sabia nadar e só percebeu isso quando o seu corpo afundou com tudo na piscina. Os seus lábios se abriram para pedir ajuda, e a sua garganta foi inundada pela água. O desespero a dominava no exato momento em que uma mão desconhecida segurou o seu braço e a puxou para fora. Cara se deixou cair ao lado da piscina, tossindo desesperadamente, a garganta ardendo pela quantidade de água que havia ingerido. — Ficou louca! — gritou alguém ao seu lado, mas Cara não tinha perdido a consciência por completo para não reconhecer a voz. Quando abriu os olhos, encontrou o olhar reprovador de Rycon. Havia algo mais ali, algo que ele não conseguiu disfarçar, por mais que tentasse: preocupação, desespero e, acima de tudo, raiva. Ele estava furioso, as narinas dilatadas e um vinco profundo na testa enquanto a fuzilava com os olhos. Cara não conseguia responder, por mais que quisesse. Com cuidado, Rycon a virou de lado e massageou suas costas para que se recuperasse mais rápido. — Você... você é o louco! — disse ela com dificuldade, ainda tossindo. — Eu? Quem pulou em uma piscina sem saber nadar não fui eu. — respondeu ele, ainda furioso. — Sua estúpida! Podia ter morrido! As palavras de Rycon foram como um tapa no rosto de Cara. Ela se desvencilhou rapidamente das mãos dele, afastando-se do seu toque. — Você jogou meu filho na água, o que queria que eu fizesse, seu i****a! — gritou, com os olhos marejados. Cara estava com tanta raiva que se controlava para não chorar diante das pessoas ali presentes. — Não é o que você pensa, Cara. — disse César, aproximando-se. — Rycon ensinou o pequeno a nadar. Eles estavam apenas brincando. Cara olhou para o rosto de todos ali e não viu nenhum sinal de preocupação. Perguntava-se se realmente havia se preocupado à toa e feito um escândalo por nada. — O tio está falando a verdade, mamãe, olha. — disse Gael, se jogando na água. O coração de Cara disparou, mas, ao observar o pequeno se movendo sozinho, o seu corpo relaxou. Um sorriso curvou os seus lábios ao ouvir o riso dele, quando alcançou o outro lado da piscina. — Agora acredita que eu não faria nada com ele? — perguntou Rycon, ainda com o rosto fechado. — Desculpe, mas... — Francamente, Cara. — disse ele, balançando a cabeça e se levantando. — Que tipo de monstro você acha que eu sou para jogar uma criança que não sabe nadar na piscina? Sem dizer mais nada, Rycon se virou e saiu, deixando-os. Cara o observava partir com um sentimento de vergonha que tomava todo o seu corpo. Realmente tinha sido precipitada em julgá-lo, mas não podia adivinhar que ele havia passado as últimas horas ensinando seu filho a nadar. — Não se preocupe com ele, depois vocês se acertam. — disse César, vendo o quanto ela estava abatida com as palavras do amigo. — Esqueça isso, querida, venha. Vou te ajudar a se trocar. — disse Mira, ajudando-a a se levantar. — O Gael... — Eu cuido dele, não se preocupe. — respondeu Luka, entrando na piscina. Com uma última olhada para trás, Cara se deixou levar por Mira. Enquanto trocava de roupa, não saía da sua mente a forma como Rycon a encarara. Havia tanta raiva estampada em seu olhar que ela jamais imaginaria vê-lo assim. Mas tinha que admitir que merecia aquele olhar. Julgara-o de forma errada, e ele tinha razão em não querer estar perto dela daquele jeito. — Depois você se desculpa com ele, não precisa se martirizar por isso. — disse Mira, ajudando-a a secar os cabelos. — Ele está certo desta vez, Mira. Eu exagerei. — respondeu ela, suspirando. — Sim, exagerou. Mas também não podia prever que ele havia ajudado Gael a aprender a nadar. Apenas agiu como qualquer outra mãe. — respondeu Mira, tranquilizando-a. — Vou pedir desculpas a ele. — disse, levantando-se. — Talvez essa não seja a melhor hora. — disse Mira, arqueando a sobrancelha. — Mesmo assim, eu preciso tentar. — respondeu ela, caminhando em direção ao quarto de Rycon.
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