13. Buaque

1212 Palavras

Aquela mulher tinha me ficado na cabeça de um jeito que eu não conseguia explicar e, pior ainda, eu nem queria tentar. Já fazia dias desde o reencontro no morro, e eu ainda me pegava lembrando da forma como ela me olhou: não como a maioria olha pra mim, com medo, mas com raiva. Uma raiva viva, ardendo. Aquele tipo de olhar que não se esquece. Manuela. Só o nome já soava perigoso. Uma mistura de desafio e desgraça. Eu já devia ter esquecido, apagado a lembrança como faço com todas as outras, mas tinha alguma coisa nela que ficou presa, latejando. Talvez fosse o jeito dela segurar o filho, a força em esconder o medo, ou o tom de voz firme, mesmo tremendo. Eu, que sempre gostei de ver o mundo se curvar, senti uma vontade absurda de ver até onde aquela mulher aguentava ficar de pé. Desde e

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