44. Manuela

864 Palavras

Ele destravou o portão com um simples toque no controle, e o barulho grave do motor abrindo lentamente soou como uma revelação. Aquele tipo de som que anuncia mudança, que anuncia fronteira sendo cruzada. Eu fiquei parada um segundo, só olhando. As plantas bem cuidadas, o jardim alinhado, a fachada branca com detalhes em preto... Era casa de revista. Casa de gente que tem a vida arrumada, mesmo quando não tem. Alex olhou por cima do ombro, percebendo minha hesitação. — Anda, Souza. — ele disse, voz baixa. — Não morde. — Quem disse que eu tô com medo? — retruquei. — Tô vendo na tua cara. — Cala a boca, Alex. Ele riu, aquele riso rouco e curto que eu já tinha aprendido a decifrar: toda vez que ele ria daquele jeito, era porque estava gostando do meu nervosismo. Entramos. E quando me

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