O café da manhã do hotel era calmo demais pro que eu estava acostumado. Aquele tipo de calma que parece artificial, onde tudo brilha e ninguém fala alto. As pessoas ali comiam devagar, riam baixo, liam jornais, como se o mundo não estivesse pegando fogo a poucos quilômetros dali. Eu observava tudo em silêncio, tentando entender o que diabos eu estava fazendo sentado numa mesa de família, com uma mulher e um garoto que não eram meus. Manuela estava à minha frente, os olhos atentos, mas o corpo cansado. Tinha o cabelo solto, meio bagunçado, e usava uma blusa simples que deixava ver o contorno do ombro. Ela parecia fora de lugar ali, o tipo de beleza crua que não combina com o brilho falso do asfalto. E, ainda assim, chamava mais atenção do que qualquer mulher com vestido caro naquele sa

