Fazia alguns dias desde a operação, mas o som do helicóptero ainda morava dentro da minha cabeça. Às vezes, quando o vento batia diferente, eu jurava ouvir de novo o barulho das hélices cortando o céu e sentia o coração acelerar do mesmo jeito. No morro, o medo nunca vai embora, ele só aprende a se calar quando o dia amanhece. Hoje o sol nasceu quente demais, o tipo de calor que cola na pele antes mesmo das oito da manhã. Eu deixei o Ítalo na creche, com o uniforme limpo e o cabelo penteado, e desci o morro devagar, cuidando pra não escorregar na lama seca que sobrou da última chuva. Tava indo trabalhar de novo na casa da moça do asfalto, a mesma que me chamou uma semana depois da confusão, dizendo que precisava de alguém "de confiança" pra manter tudo em ordem enquanto ela cuidava das

