A lista de compras estava amassada na minha mão enquanto o carrinho vagava pelo corredor do supermercado. Sexta-feira à tarde, o lugar cheio de gente fazendo a mesma coisa: comprando comida, pagando conta, vivendo. Arroz, feijão, leite. As coisas básicas que nunca tinham sido básicas na minha vida. Antes, comprar comida era matemática complicada: quanto tinha no bolso, quanto dava pra esticar, o que podia ficar pra semana que vem. Agora, eu passava os olhos pelas prateleiras e pegava o que precisava sem fazer conta. Isso ainda me assustava um pouco. Parei na frente das carnes. Alex gostava de carne vermelha, mas Ítalo preferia frango. No fim, peguei os dois. Peguei também um pacote de pão de forma que ele nem tinha pedido, porque sabia que ele gostava de café da manhã com pão quente. F

