9. Buarque

909 Palavras

Camila bateu a porta com força assim que a menina saiu, o barulho ecoando pela sala limpa demais pra tanto peso. Eu continuei de pé, no mesmo lugar, com os braços cruzados e o olhar fixo na janela. Lá fora, o sol batia nas grades e a rua brilhava como se nada tivesse acontecido. Mas o silêncio da casa não durou. — Cê tá maluco, Alex? — a voz dela veio cortante, furiosa. — O que foi aquilo? Demorei uns segundos pra responder. — Aquilo foi precaução. — Precaução? — ela bufou, incrédula. — Você humilhou a menina! Uma garota pobre, sozinha, só tentando trabalhar! Me virei devagar. Camila tava de braços abertos, o rosto vermelho de raiva, o cabelo despenteado. O olhar dela - igual ao da nossa mãe - vinha afiado, e por um instante, me lembrei de quando éramos crianças e ela me enfrentava

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