A delegacia estava vazia naquele horário. A noite engolia os corredores, e só as luzes de emergência cortavam a escuridão em intervalos regulares. Eu tinha ficado depois da reunião, revisando relatórios, tentando encontrar alguma conexão que os outros tinham deixado passar. Vinte e sete crianças. O número martelava na cabeça como um disparo seco. O som de saltos no corredor me alertou antes que ela aparecesse. Passos firmes, ritmados, sem hesitação. Quando levantei a cabeça, Sofia estava na porta da sala, apoiada no batente, os braços cruzados sob os s***s. — Capitão Buarque. — a voz dela era um purr. — Trabalhando tarde. — Delegada. — mantive a expressão neutra. — Precisava de alguma coisa? Ela entrou sem ser convidada. A saia justa, o cabelo curto, o batom vermelho. Ela sabia exata

