A festa tinha acabado há quarenta minutos, mas meu corpo ainda vibrava com a energia do dia. Ítalo dormia no banco de trás, exausto. O capacete de bombeiro estava caído no chão do carro, a fantasia amassada, a boca entreaberta. Ele nem se mexeu quando coloquei o cinto nele. Eu estava sentada no banco do carona, a cabeça levemente virada pra trás, observando ele dormir. O cabelo bagunçado, a mãozinha relaxada, o peito subindo e descendo devagar. — Apagou — falei baixinho. — Apagou — Alex confirmou, a voz também baixa. Ele ligou o carro. O motor roncou baixo na noite. Saímos do estacionamento do salão devagar, as luzes da cidade começando a piscar lá fora. Postes, faróis de outros carros, letreiros de loja. Por alguns minutos, ficamos em silêncio. Eu estava feliz. Cansada, mas feliz.

