19. Manuela

888 Palavras

A porta do quarto do hotel se fechou atrás da gente com um estalo abafado, e por um instante o silêncio pareceu me engolir. O ar era frio, o chão limpo demais, e o cheiro do lugar, lençóis lavados, perfume caro, desinfetante, me fez perceber o quanto eu estava longe de casa. O quanto aquele mundo era o oposto do meu. Ítalo adormeceu rápido, encolhido na cama de casal, com o ursinho que eu trouxe do barraco apertado entre os braços. Eu ajeitei o lençol sobre ele, tentando ignorar o peso do olhar de Alex me seguindo em cada movimento. Ele estava encostado na parede, braços cruzados, o corpo imenso parecendo preencher o quarto pequeno. — Ele dorme fácil — disse, a voz baixa, rouca, com aquele tom calmo que sempre vinha antes do incômodo. — Tá cansado. — respondi sem olhar pra ele. — A gent

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR