39. Manuela

1363 Palavras

A manhã seguinte chegou devagar, como se o sol tivesse pena de acordar o mundo. A luz entrava pela cortina fina da sala, e o ventilador girava lento no teto, espalhando um vento tímido pelo apartamento inteiro. Eu acordei antes do Ítalo, o corpo ainda acomodado no sofá macio, a sensação de segurança tão forte que quase doía. Não era minha casa. Não era minha vida. Mas, pela primeira vez em muito tempo, eu não acordei com medo. Sentei devagar, puxando o lençol até a cintura. O coração acelerou sozinho quando a memória voltou, nítida, quente, quase proibida: as mãos dele na minha pele, o peso do corpo dele sobre o meu, a respiração pesada, o jeito que ele me olhou como se eu fosse a única coisa viva no mundo inteiro. E eu me entreguei. Eu me entreguei pra ele como não fazia desde... des

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR