Capítulo — Perfume " O Perfume das manhãs variam de pais para pais, mas o calor do desjejum é o mesmo nos quatro cantos da terra." Kilian Dormir, para mim, é um privilégio que já não existe. Descanso é uma palavra vazia, algo que pertence a outros homens, a outras vidas. Os pesadelos vêm sempre do mesmo jeito: não avisam, não pedem licença. Eles me agarram pelas pernas enquanto eu tento me segurar em qualquer coisa — uma raiz, uma pedra, um pedaço de memória — e eu grito. Grito de verdade. Sinto quando meu corpo é arrastado por pedras afiadas, quando a pele se abre, quando a carne é esfolada sem piedade. Não há misericórdia no mundo dos meus sonhos. Nunca houve. Acordo sempre da mesma forma: desesperado. O corpo encharcado de suor, os olhos arregalados, a respiração curta demais para

