Capítulo —Conhaque " A bebida aquece queima, mas perceber que os seus desejos são maiores do que sua vontade, isso arde mais do que qualquer álcool descendo pela garganta. " Kilian Antes mesmo de levar o conhaque aos lábios, eu a observo. Não é um olhar rápido, nem casual. É um exame silencioso, atento, quase clínico. O rosto dela é perfeito de um jeito que não se aprende, não se fabrica. Pele fina, clara, com um aspecto de porcelana antiga, daquelas que se quebram com um toque errado. Não sei de onde essa menina veio — essa mulher, corrijo mentalmente —, mas houve cuidado em sua criação. Alguém, em algum ponto do caminho, tentou preservá-la do mundo, ainda que tenha falhado miseravelmente no final. O corpo é franzino, pequeno. A minha altura e o meu porte a sobrepujam com facilidade

