Henrique narrando Desliguei o telefone e fiquei parado no meio do escritório, com o celular ainda colado na orelha, como se a voz dela tivesse grudado nos meus tímpanos. A respiração dela, o ódio, a acusação… aquilo tudo mexeu comigo. Mas não do jeito que qualquer pessoa normal sentiria. Não me doeu. Não me abalou. Não me fez pensar em arrependimento. Na real? Me deu t***o de guerra. Ver a minha irmã — a menininha inocente que sempre confiou em mim — agora com aquela voz afiada, querendo bater de frente, querendo bancar a justiceira… me deu até vontade de rir. Ela acha que sabe jogar. Acha que me enfrentando vai virar a protagonista da história. Que vai limpar o nome dela, me expor, me destruir. Ingênua do c*****o. Passei a mão no rosto, respirei fundo e fui até o bar. Servi um uís

