Thiago narrando - continuação — Mãe, eu vou indo lá resolver umas parada na boca. Depois eu volto pra falar com a senhora. Não esqueci do nosso combinado, não. Ela assentiu, meio chateada, porque ela entende o quanto eu e meu pai estamos distantes. Passei por ele na porta. A gente se encarou por alguns segundos, sem dizer nada, só trocando aquele olhar carregado de tudo que nunca foi dito. Então eu saí, larguei ele ali, porque se eu ficasse mais um minuto, ia acabar saindo merda. E eu não ia estragar o dia da minha mãe. Não depois de vê-la tão feliz com a notícia da Amanda. Subi na moto e deixei a favela me engolir de novo, com o barulho dos rádios, dos pipocos ao longe, e o peso de saber que eu carrego essa p***a toda nas costas. Porque no final do dia, por mais que meu pai tente, que

