Capítulo UM

3916 Palavras
BRASIL - RIO DE JANEIRO O dia havia amanhecido ensolarado, com céu aberto, nuvens brancas indo para bem longe daquela manhã que prometia ser quente e calorosa. Era por volta das 8 da manhã, e as pessoas da cidade já haviam acordado, elas se movimentavam indo para as suas vidas corridas, e agitadas. E as coisas não eram diferentes, no Morro dos Prazeres. Os moradores, desciam o grande morro indo para seus trabalhos, e para os seus compromissos, com passos apressados e expressões determinadas e alguns cansados do cotidiano. No entanto, algo parecia diferente naquele dia, bom pelo menos para ele. Jeon Jungkook, mais conhecido como “JK”, estava em seu posto enquanto acendia um cigarro de menta com melancia, sentia a brisa fresca matinal passar por ele. Seu plantão havia começado cedo, afinal, havia muitos erros que haviam acontecido naquela madrugada. E ele como braço direito do chefe do tráfico, tinha que supervisionar e verificar para ele que estava tudo sob controle e da forma que tudo deveria ocorrer de acordo com as normas do dono do morro. Ele estava posicionado atrás de um dos rapazes, que anotava em um caderno cada ocorrência que havia acontecido naquela madrugada. O BOPE havia invadido, com carros fortes, e um grande batalhão de policiais dispostos a pegar o máximo de traficantes e se possível o chefe do tráfico. E com essa invasão os criminosos fizeram a festa para poder roubar a vontade. E claro, nem Jungkook e muito menos o dono do morro não aprovava aquele tipo de comportamento. Olhando cada morador trabalhador entrar se queixando de coisas que poderiam ter sido evitadas, era deprimente para Jungkook. Ele poderia considerar aquela situação mais chata do que cobrar dívida de droga de “playboy” na barra da Tijuca. Ele preferia muito mais estar em casa, fumando um baseado enquanto contava o dinheiro da área de tráfico que ele administrava, com uma mulher apenas de calcinha e sutiã deitada na cama dele. Mas infelizmente, ele sabia que nem todos era honesto como ele, e sim era todos egoístas que roubavam dos que realmente batalharam para conseguir as coisas. Ele sabia que aquela vida não era uma das melhores, mas foi o meio que ele achou para sobreviver em meio tanto sangue, fome, pobreza, vícios, corrupção e dentre outros. O crime não é uma escolha e sim um meio de sobrevivência. JK olhou para o homem à sua frente que anotava tudo da forma que o morador falava sem cortes ou erros. Pois ele sabia que quaisquer erros poderiam ser algo grave, que poderia ter consequências que custaria a vida dele. O tráfico era uma engrenagem complexa, e cada peça tinha que estar no lugar certo para que tudo pudesse funcionar de forma correta sem falhas. JK sabia disso, melhor do que ninguém, ele aprendeu com o seu chefe, tudo que ele sabia era de sua vivência de anos de observação desde que se lembrava por gente. Ele havia subido na hierarquia no crime, não apenas porque ele era bom na arma e combate de corpo a corpo, e sim também por sua inteligência, a sua capacidade de armar emboscadas, planejar e organizar. Ele observou cada movimento e franziu o cenho quando viu um dos moradores apontar para um celular que ele conhecia bem. Capinha azul, com a maçã de iphone preto, o pingente de golfinho, e aquela assinatura atrás. Ele sabia exatamente de quem era aquele celular. Antes mesmo que o rapaz pegasse para dar aquele morador, ele foi até ele pegar o celular com brutalidade com o maxilar travado. — Fala sério! Você não tem vergonha de pegar um celular que não é seu? — Disse JK em um tom ríspido e ameaçador. — Mas esse celular é meu! — Repetiu o jovem. — Papo reto, to ficando bolado com essa fita! Esse celular não é seu, eu sei quem a dona disso aqui! — Ele disse ligando o celular desbloqueando pois havia a sua digital. Ao desbloquear ele viu o papel de parede de sua melhor amiga Deise. Uma foto dela na praia, que ele mesmo havia tirado quando eles saíram juntos com mais alguns amigos de JK. Ele clicou no aplicativo de mensagens o “w******p” e viu que ela havia ligado algumas vezes, querendo saber onde o celular dela estava. Ligações da mãe dela, e de algumas amigas dela. Ele encarou o jovem que insistiu que o celular era dele. — Eu vou te levar pra zideia seu filho da p**a! p***a, a gente da um voto de confiaça pra vocês, e vocês vem de maralogaem pra cima da gente pegando celular de outro morador aqui? Vai se f***r arrombado. — JK disse bravo, guardando o celular. — Vaza daqui moleque! O jovem saiu do salão correndo com medo do que poderia acontecer. Ele olhou para os funcionários que estavam ajudando aquela manhã e chamou para conversar no canto. Ele encarou o rapaz e disse: — Pega a visão. Quero que você vá atrás de todos os moradores, junto com o Parafuso, para verificar que eles são mesmo os donos das coisas que eles levaram daqui. Se um mala levou qualquer coisa daqui que não seja dele mesmo. Trás pra cá que a gente dá um trato! — Ele deu a ordem. — Já é! — Concordou o rapaz e foi em direção ao outro que JK havia mencionado. Enquanto ele observava ele indo em direção ao Parafuso, ele pegou o celular de Deise, e desbloqueou fez uma ligação para uma das amigas dela, pois ele sabia que a mãe dela estaria descendo para o salão de beleza naquele horário. Ele colocou o celular no ouvido ouvindo os bips, e logo a voz feminina bem conhecida por ele, foi se ouvindo. — Ae Nathalia, e o JK. — Ele encostou na parede mantendo os seus olhos atentos ao que estava acontecendo à sua volta. — Ah, oi JK. O que tá fazendo com o celular da Deisinha? — Ela perguntou fazendo ele revirar os olhos e fazer uma careta por ter que escutar mais da voz dela. — O que você acha? Escuta, vai na casa dela e avisa que o celular dela está aqui comigo. — Assim 0800? — Ele pode imaginar a expressão de deboche dela naquele instante. — Ae mermã eu to boladão já, vai logo nessa merda e avisa a Deise que ele tá aqui comigo. E é 0800 mesmo! Se ta achando r**m eu mando a Rafaela ir no seu lugar c*****o! — Um suspiro pesado escapou dos lábios dele. — Aff, tá bom, i****a! Eu nem deveria fazer isso, depois com o que você fez comigo! Só vou fazer porque a Deise é minha amiga. — Jungkook revirou os olhos. — Ai é problema seu, eu disse que eu só queria te comer. Vê se vai logo ai. — Jungkook desligou a ligação. Ele balançou a cabeça negando o que havia conversado com Nathalia, e bufou já sentindo o peso do dia se acumular em suas costas. Uma mensagem nova brilhou na tela do celular de Deise, com o nome de “Chaeryeong”, estava sem foto. Ele franziu o cenho, mas decidiu não olhar o que aquela mensagem tinha. Desligando o celular, ele guardou em seu bolso, e voltou a observar, ficando de plantão e dando o suporte necessário para eles. (...) Não demorou muito para que ele visse um rosto conhecido entrar na pequena sala. Era uma moça por volta de seus vinte e pouco anos, cabelo cortado em chanel liso, com os olhos levemente puxados e pele bronzeada; era Deise. Ele se levantou de onde estava sentado, e sacou o celular do bolso, ela entrou direto e foi em direção a ele, e o abraçou. — Ah que bom que tá com você. — Ela realmente parecia aliviada em ver o aparelho. — Onde cê tava quando a invasão aconteceu para terem tomado de você? — Ele separou do abraço para encarar a amiga. — Estava voltando do salão com a minha mãe, quando do nada um dos meninos passou correndo, puxou o celular da minha mão e eu só vi o caveirão indo atrás dele. — Deise suspirou e passou as mãos nos cabelos, enquanto pegava o celular de volta. — p***a. — Se expressou. — Ah, verdade, a minha tia com os dois filhos dela, tá vindo passar uma temporada aqui. Avisando que se caso ver uma pessoas estranhas, e também são paulistas, são da minha familia. — Ela disse descontraída. — Esqueci de avisar, mas com tanta coisa e você não vai lá mais na minha casa, eu acabei esquecendo de avisar. — Quantas pessoas? Pra mim passar pro chefe e para os Leks daqui. — JK olhou em volta, mas fixou seu olhar na garota em sua frente. — Três a quatro pessoas. — Contou nos dedos. — Quanto tempo? — Uns dois a três meses. — Disse lendo a mensagem de alguém. — Suave. Eu vou falar pro patrão. — Trancou o maxilar olhando em volta. — Valeu maninho. — Ela deu um beijo na bochecha dele. — Nada gata, tudo por você. — Ele abriu um sorriso de canto. — Cafajeste. — Ela disse saindo da sala. — Só por você novinha. —Mordeu o lábio inferior com um sorriso de lado. Ela mostrou o dedo do meio para ele antes de sair completamente da sala. JK abriu um sorriso sacana no rosto, e molhou os lábios e deu uma risada nasal. — Eu ainda vou comer ela. — Murmurou para ele mesmo. — JK! Cola aqui. — Disse o rapaz da frente dele, fazendo ele voltar para o problema real. [...] Multidões de pessoas se moviam para todos os lados com malas, sacolas, apressados querendo chegar o mais rápido possível em seu destino. O aroma fresco de salgados e café preenchia toda a rodoviária, atiçando a fome das pessoas ao redor que estavam de viajem ou que estavam chegando. Ao lado de fora, os vendedores ambulantes gritavam seus produtos, para incentivar as vendas aos turistas, e aos próprios moradores do Rio de Janeiro. Dentro da rodoviária sentados em um banco mais afastado onde havia tomadas para colocar os celulares para carregar. Lá estava a família de Deise. Sua Tia Hayun, seu primo Ravi e sua prima Chaeryeong. Eles esperavam por Deise em cerca de uma hora e meia desde que desembarcaram. Chaeryeong a mais velha, por volta dos seus 23 anos, estava sentada em uma das cadeiras, assistindo um video engraçado em seu celular para passar o tempo. Ela viera de São Paulo, uma parte movimentada e caótica do Brasil, uma verdadeira selva de concreto. Com o estresse do dia a dia, ela não pensou duas vezes em gastar a sua recisão em uma viajem duradoura com a sua mãe e seu irmão no estado onde a sua tia preferida e onde sua mãe nasceu. Seria bom para ela, espairecer um pouco, após ficar desempregada. Com a sua recisão e seu seguro desemprego, ela poderia ficar um bom tempo de ferias, antes de voltar e começar tudo de novo, em um lugar novo, com pessoas novas, mas o estresse diário seria o mesmo. Ela já tinha ouvido falar sobre o Rio de Janeiro por sua mãe, que contava com brilho nos olhos como ela amava aquele lugar. E claro que Chaeryeong e tanto Ravi, sentia curiosidade de conhecer um lugar tão, maravilhoso como a mãe dela dizia. Sim ela sabia sobre os crimes, sobre a violência diária, mas quem não saberia, era só o que a Televisão falava sobre o RJ. Mas de qualquer forma, ela estava acostumada, afinal São Paulo não era tão diferente. O que mudava, era o nome e conceitos de ética e moral de cada facção, e o nome da policia que partia com agressão e violência. Ela sempre dizia consigo mesma: “Favela tem em todo lugar, o problema não é a preferia é o sistema!”. Então para ela o Rio de Janeiro não era um lugar tão diferente assim de onde ela morava. Mais alguns minutos se passaram, e ela escuta a mãe dela dar um grito entusiamado se levantando rapidamente da cadeira. Ela olhou para o lado e viu a sua prima, Deise, indo em direção a ela. Chaeryeong nunca virá Deise, pessoalmente apenas por fotos, videos e ouvia a sua mãe conversando com elas vezes. Ela era bem diferente do que Chaeryeong imaginaria que ela fosse. Com um sorriso no rosto, Chaeryeong se levantou, chegou proximo dela e a comprimentou um pouco perdida, dando 2 beijos na bochecha. Com entusiamo Deise disse: — Ah, que bom que chegaram bem! Mas oh, já passo a visão po seis, porque aconteceu uma invasão lá morro, e os mano ta resolvendo. Então se verem eles andando de arma, fuzil e por causa disso. — Ela disse ajudando pegar uma das malas. — Mas tá tudo certo? Chaeryeong não podia negar que ela sentiu uma pontada de medo pelo o que Deise havia dito, foi como dizer a ela que: ela teria que passar a noite na cracolândia com um iphone de ultima geração, sozinha. Aquilo acabou causando um pouco de medo, e desconforto em Chaeryeong. Seguindo Deise para a saída da rodoviária, ela escutou a prima. — Sim, aconteceu alguns problemas que eles já estão resolvendo, não se preocupe. — Ela sorriu tentando passar confiança. Chaeryeong forçou um sorriso, tentando não demonstrar o seu incomodo que sentia. O calor carioca começou a fazer efeito nela, o suor já estava evidente, ela passou a se abanar com a mão e suas bochechas ganharam um rubor avermelhado. Ela queria chegar na casa de Deise tomar um banho refrescante e tirar aquelas roupas de viagem que estavam começando a incomodar. O trajeto até o morro dos Prazeres foi relativamente tranquilo, apesar do transito típico da cidade. Dentro do carro Deise tentava contrair o clima tenso que havia se formado após ela contar sobre a invasão do BOPE. Ela contava histórias engraçadas entre ela, sua mãe e sua irmã que havia acontecido no dia a dia. — Ai a minha mãe caiu na areia da praia depois que a onda bateu nela com força. — Deise disse rindo, olhando para eles no banco de trás. — Ah, praia. Podemos ir dar uma volta essa semana ainda lá? — A mãe de Chaeryeong disse com paixão. — Claro, Tia. Qual praia a senhora quer ir? — Ela sorriu animada. — A do Lebron mesmo. — Precisa mesmo hein, Tia. Olha tão pálidas, principalmente Chaeryeong. Posso te chamar de Chae? — Deise chamou atenção de Chaeryeong que sorriu. — Claro, Deise. Seria legal conhecer as praias daqui. As praias de São Paulo são bem gostosas também. Adoro o mar. — Chaeryeong tentou o maximo possível parecer educada e gentil. — Amiga, amanhã mesmo a gente já vai na praia. Você precisa de uma cor, uma melamina. — Deise sorriu, e se virou para frente. — Realmente. — Chaeryeong deu risada concordando. — Ah, Deise. — Oi? — Sua mãe pode retocar o meu cabelo? O ruivo ta desbotando já. — Fez uma careta engraçada, assim que Deise virou para ela. — Já é, Chaer. 0800 pra você. — Deise balançou a cabeça confirmando. — Como assim “0800”? — Ravi perguntou confuso. — Significa de graça, algo gratuito. — Deise gargalhou. —- O sotaque de vocês é engraçado. — O seu que é. — Ravi disse rindo. Chegando ao morro, a presença de homens armados era visível. Alguns olharam curiosos, mas Deise acenava com a cabeça dizendo com o olhar que estava tudo bem. E de fato estava, eles sabiam que teriam gente nova no pedaço. Ao chegar em casa, foi um alivio para Chaeryeong, ela sentiu-se mais segura, apesar de Deise conhecer bem o povo do movimento. A casa era simples e aconchegante, nada extravagante, com uma vista incrível para a cidade e para o morro vizinho. Do quintal era possivel ver o Cristo Redentor. — Chegamos, oh o cheiro de cuscuz. — Ela disse fechando o portão e subiu as escadas. — Vamo gente entrando. Chaeryeong olhou ao redor, sentindo-se em casa. Ao ver a Tia vindo na direção dela, um sorriso alegre se formou nos lábios. A familia se abraçou matando saudades e compartilhando amor parental. Eles seguiram para dentro da casa indo em direção a cozinha onde havia um belo almoço, que fez a boca de Chaeryeong encher de água. — Vem vou mostrar a casa para vocês. — Deise disse, chamando apenas Ravi e Chaeryeong, pois as mais velhas conversavam sem parar. Deise seguiu pela casa mostrando cada quarto e começou a falar onde cada um ia ficar. — Oh Chae, você vai dormir no quarto comigo, o Ravi com a sua mãe no quarto da minha irmã. E a minha irmã dorme com a minha mãe. — Ela disse abrindo a porta do quarto dela. — Perfeito, obrigado Deise. — Chaeryeong sorriu agradecida. — Nada, arruma as suas coisas amiga. Assim Chaeryeong fez, ela colocou as coisas dela no quarto de Deise, colocando tudo em um espaço separado para ela. A longa viagem havia sido cansativa, e a ideia de passar um tempo longe do caos que era São Paulo fazia ela sentir uma paz que não sentia a muito tempo. Enquanto ela desfazia as malas, e a familiaridade da voz de Deise, e de sua familia, trazia um certo conforto e uma vibração calorosa que a fazia se sentir bem. Após ela organizar os pertences dela, Chaeryeong tomou um banho frio para se refrescar do calor que estava fazendo. Ela passou todos os produtos de autocuidado, e colocou uma roupa adequada e fresca para passar o restante do dia. Ela e a familia almoçaram juntos, comendo e conversando sobre as fofocas de familia mais recentes que estava acontecendo. — Ah, Mãe, a Chae. Ela quer que a senhora retoque o cabelo dela. — Deise disse enquanto pegava mais um pouco de comida. — Claro! Lá no salão tem muitos tons de vermelho fique a vontade para escolher, meu amor. — A mais velha deu um beijo na testa de Chaeryeong. — Obrigada, Tia. Enquanto a mãe de Deise e Chaeryeong conversava sobre os tons de tintas, Deise recebeu uma mensagem em seu celular. Ela olhou rapidamente e suspirou. — Gente já volto. Elas assentiram, e voltaram a conversar tranquilamente. Deise desceu as escadas da casa dela, e foi em direção a esquina ao lado da casa dela, onde havia um bar pequeno. JK estava lá fumando e bebendo uma cerveja, enquanto participava de um jogo rapido de sinuca. Quando chegou ela parou ao lado dele que se concentrava para derrubar a bolinha no lugar certo, e logo bateu o taco fazendo ela rolar pela mesa, e acabou que a bolinha não caiu no buraco. Ao ve-la, ele a cumprimentou com os 2 beijos na bochecha classico, e deu um trago no cigarro. — O que foi, vida? — Ele perguntou soltando a fumaça lentamente. — Queria falar contigo. — Ela pegou o copo dele de cerveja e deu um gole fazendo careta. — Eca… — Fala aí, gata. — Rodeou a mesa para acertar outra bolinha. — Minha família chegou hoje, como te avisei. Só que eles estão um pouco assustados com a situação de hoje cedo. Queria saber se tem como dar uma acalmada na área até eles se acostumarem. — Ela pediu, com um olhar suplicante. Ele acertou a bolinha, e bateu em outra que acabou errando. JK olhou para ela, e tragou novamente, e soltou a fumaça em um suspiro antes de falar. — Pode deixar. Vou pedir pra galera pegar leve e ficar mais na deles por uns dias. Mas lembra de falar pra eles que se precisarem de algo, é só chamar. — Ele disse, com um sorriso de canto. — Valeu, vida. Você é um anjo. — Deise sorriu e deu um beijo rápido na bochecha dele antes de se afastar. — Só pra você, princesa. — Ele mandou um beijo pra ela, que saiu rindo. JK olhou para ela, até sumir de seu campo de visão. Ele olhou para o colega dele que dava risada, da situação. — O que? — Ele perguntou. — Até agora, a “vida”, era a Larissa, e a princesa a “Gabi”. — O amigo disse rindo. — Meu coração cabe todas. — JK brincou rindo, antes de voltar para o jogo. — Cuidado, uma ainda vai amarrar o seu coração cafajeste, irmão. — Ele riu, e negou com a cabeça. — Só se fizeram macumba pra mim. — Riu, batendo o taco na bolinha. — Com tanta muie no pente, não duvido que já tenha pegado uma macumbeira. — Gargalhou, vendo JK ir tenta bater em outra bolinha. — A Geovanna é macumbeira, ela é de Padilha. — Errou no jogo. — E carai, já peguei ela. — Deram risada. — Quem não pegou ela? Não sei o que a pombogira dela faz, mas que preta desgraçada. — JK disse rindo. — Né! — Riu junto. Deise chegou em casa com um sorriso no rosto, e notou como a familia dela estava alegre divertida trazendo luz para casa. Chaeryeong ria das piadas que as mulheres mais velhas fazia, ela olhava admirada para elas, e ao notar Deise ela sorriu simpática. Ela sentou ao lado de Chaeryeong que deu espaço para ela. — E aí, resolveram a cor do cabelo? — Deise perguntou, se juntando a eles na mesa. — Sim, tia Hayun vai retocar meu cabelo amanhã. Estou animada para ver como vai ficar. — Chaeryeong respondeu, sorrindo. — Vai ficar linda, amiga. — Deise garantiu. — Mas antes de retocar esse cabelão, vamos a praia. — Gostaria muito de ir. — Chaeryeong sorriu alegre. — Prefere marquinha de fita ou de biquini? — Deise indagou olhando para ela. Chaeryeong pensou um pouco, e decidiu ser sincera. — De biquini, eu acho. — Ela sorriu alegre. — Beleza, amanhã eu vou te mostrar a técnica de ter um bronze maravilhoso! — Deise afirmou. Mias tarde, quando a noite caiu no Rio de Janeiro. Chaeryeong estava sentada no quintal observando o cristo redentor distante iluminado. O som do transito da cidade distante, assim como o chiado de conversas e diálogos perto. O aroma de vegetação entrava nas narinas de Chaeryeong dando por um momento paz, e tranquilidade. Ela estava relaxando quando de repente, Deise apareceu ao seu lado com uma latinha de cerveja gelada para Chaeryeong. — E aí, como tá se sentindo? — Deise perguntou, entregando uma das latinhas para a prima. — Estou me sentindo bem, melhor do que esperava. Esse lugar é lindo, tem uma energia diferente. — Chaeryeong respondeu, sorrindo. — Fico feliz em ouvir isso. Sei que o início pode ser assustador, mas com o tempo você vai se acostuma. — Deise disse, dando um gole na cerveja. — Espero que sim. E obrigada por tudo, Deise. — Chaeryeong respondeu, sentindo-se verdadeiramente grata pela hospitalidade da prima. — Não precisa agradecer, Chae. Somos família. — Deise disse, puxando Chaeryeong para um abraço. As duas ficaram ali por um tempo, conversando sobre a vida, o futuro e os sonhos. A noite estava fresca, e a brisa suave trazia consigo o cheiro do mar e das flores que cresciam nos jardins das casas vizinhas.
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