Os dias seguintes passaram como uma mistura de rotina e lembranças. Cristiano continuava mergulhado em seus negócios no morro, mas não conseguia tirar Patrícia da mente. Cada gesto dela, cada sorriso, cada toque parecia ecoar em sua memória, tornando cada momento sozinho ainda mais intenso.
Patrícia, por sua vez, sentia a mesma inquietação. A noite do encontro, o beijo, os momentos íntimos, tudo continuava vivo em sua mente. Ela tentava manter a rotina, trabalhar, cuidar de si mesma, mas a lembrança de Cristiano a fazia sorrir sozinha em qualquer momento.
Então, a noite de baile se aproximou novamente — um evento que costumava reunir toda a energia do morro, música alta, dança, risadas e olhares. Cristiano, como sempre, estaria lá, observando, comandando, mas também esperando vê-la novamente.
Porém, naquela tarde, uma mensagem chegou ao celular dele. Ele pegou o aparelho e leu, os olhos imediatamente fixos na tela:
"Oi, Cristiano… não estou me sentindo bem hoje. Tô doente e não vou conseguir ir ao baile. Me desculpa…" — Patrícia.
Ele franziu levemente a testa, sentindo uma mistura de preocupação e leve frustração.
— Doente? — murmurou sozinho, passando o dedo pela tela, quase como se pudesse sentir o perfume dela novamente. — Droga… justo hoje.
Cristiano respirou fundo, tentando controlar a ansiedade que começava a surgir. Não era só o desejo de vê-la novamente; havia algo mais profundo, uma necessidade de presença, de proximidade que ele não conseguia explicar.
— Tudo bem… — disse baixinho para si mesmo, fechando os olhos por um instante — você vai melhorar, e a gente se vê em outro momento.
Mesmo com a distância imposta pela doença, Cristiano sentiu o vínculo entre eles se fortalecer. A espera, a preocupação, a curiosidade sobre cada detalhe da vida dela… tudo contribuía para aumentar a intensidade do que ele sentia.
Enquanto a noite caía, ele permaneceu em silêncio, olhando pela janela da casa, imaginando Patrícia descansando, cuidando de si, e, ao mesmo tempo, pensando em como ela tinha se tornado indispensável em seus pensamentos, em seus dias e noites.
— Você não sabe o efeito que causa… — murmurou sozinho, com a mão tocando o travesseiro, ainda sentindo a lembrança do perfume dela. — Mas eu vou descobrir… de algum jeito.
E assim, a noite de baile passou sem Patrícia, mas a tensão, o desejo e a expectativa só aumentaram, preparando o terreno para o próximo encontro, para a próxima entrega entre eles.
Assim que amanheceu cristiano pegou o celular, o polegar hesitando sobre o botão de chamada. Um instante depois, ouviu a voz dela do outro lado:
— Alô?
— O que você tem, Paty? — perguntou ele, a voz firme, mas carregada de preocupação.
— Meu corpo todo dói… tô com febre também — respondeu Patrícia, a voz fraca e embargada. — Não consegui trabalhar ontem, e hoje também não fui…
Ele franziu a testa, sentindo um aperto no peito. Não gostava de ouvir Patrícia assim, vulnerável e sozinha.
— Droga… — murmurou baixo, passando a mão pelos cabelos. — Você precisa descansar, Patrícia. Tem alguém cuidando de você aí?
— Não… tô sozinha mesmo — disse ela, com um suspiro fraco. — Mas tô tentando me cuidar.
Cristiano fechou os olhos por um instante, sentindo a vontade de ir até ela imediatamente. O coração dele batia mais rápido, misturando desejo, preocupação e aquela necessidade de protegê-la que ele sentia desde a primeira vez que a viu.
— Escuta… — disse ele, respirando fundo — eu vou até aí. Você não fica sozinha assim. Eu cuido de você.
— Não precisa, Cristiano… — respondeu Patrícia, mas a voz não tinha a firmeza de antes. — Eu consigo ficar.
Ele sorriu levemente, mas firme, sem deixar a decisão para ela:
— Não, você não consegue sozinha. Eu sei que você acha que consegue, mas eu não vou deixar. Aguenta mais um pouco, eu tô saindo agora.
Patrícia suspirou, resignada, mas com um sorriso tímido na voz.
— Tá bom… mas não precisa exagerar.
— Não se preocupa — disse ele, a voz firme, quase brincando — só vou chegar aí e garantir que você fique bem.
Enquanto desligava, Cristiano sentiu a urgência crescer dentro de si. Ele nunca tinha se importado assim com ninguém desde a morte da esposa. E agora, Patrícia… Patrícia tinha despertado nele algo que não sabia como controlar: desejo, fascínio, e uma vontade de protegê-la a qualquer custo.
Ele vestiu o casaco rapidamente, pegou as chaves e saiu, o carro percorrendo o caminho até ela, cada segundo da viagem aumentando a tensão e a ansiedade de vê-la novamente, tocá-la, cuidar dela…