O perigo se aproxima

895 Palavras
Os dias começaram a mudar. Não de uma vez… mas aos poucos. Cristiano já não conseguia estar tão presente como antes. O morro estava agitado, movimentações estranhas, nomes sendo citados, territórios sendo observados. O nome de Ivandi voltava a circular com mais força, e isso significava problema. E problema, no mundo dele… nunca vinha pequeno. Patrícia percebeu primeiro nas pequenas coisas. As mensagens demoravam mais. As ligações eram curtas. Os encontros… cada vez mais raros. — Tá tudo bem? — ela perguntou em uma ligação, numa noite em que ele parecia distante. — Tá sim, princesa… só trabalho — respondeu ele, rápido, direto. Mas ela sentiu. Sentiu que tinha algo diferente. --- Enquanto isso, no morro, Cristiano já não tinha mais tempo pra pensar com calma. — Chefe, a movimentação deles aumentou — disse um dos homens. — Já sei — respondeu ele, sério. — Quero todo mundo atento. Ninguém vacila. Ele estava mais frio. Mais focado. Mais perigoso. O tipo de homem que ele sempre foi… mas que Patrícia ainda não conhecia de verdade. --- Naquela mesma noite, Patrícia estava sozinha em casa, sentada no sofá, olhando o celular. Nenhuma mensagem nova. Ela suspirou, cruzando os braços, tentando não pensar demais. — Ele deve estar ocupado… — murmurou pra si mesma. Mas no fundo, uma inquietação começava a crescer. --- Cristiano, por outro lado, estava em uma reunião tensa com seus homens. — Se eles tentarem subir de novo, a gente responde — disse ele, com a voz firme e olhar frio. — E pesado. O silêncio que se seguiu foi suficiente para todos entenderem. Aquilo não era mais só vigilância. Era guerra se aproximando. --- Mais tarde, sozinho, ele pegou o celular. Abriu a conversa com Patrícia. Ficou alguns segundos olhando… sem saber o que dizer. Digitou: "Tô com saudade." Apagou. Digitou de novo: "Queria estar com você agora." Apagou de novo. Soltou um suspiro pesado e travou o celular. — Eu não posso… — murmurou. — Não agora. Porque quanto mais perto ele ficasse dela… mais perto do perigo ela também ficava. --- E assim, sem que Patrícia entendesse o motivo, o homem que antes estava sempre presente… começava a se afastar. Não por falta de sentimento. Mas porque o mundo dele… era perigoso demais pra ela. A noite estava tranquila demais. Patrícia fechava a loja já cansada, ajeitando a bolsa no ombro. O movimento da rua era normal, algumas pessoas passando, carros indo e vindo, nada que chamasse atenção… pelo menos à primeira vista. Mas ela não sabia. Não sabia que, do outro lado da rua, dentro de um carro escuro, dois homens observavam cada passo dela. — É essa? — perguntou um deles, olhando a foto no celular. — É… a mesma do baile. A que tava com ele. — Com o Dogão… — o outro murmurou, soltando um sorriso frio. Patrícia começou a caminhar, distraída, mexendo no celular. O carro ligou devagar. Seguindo. Sem pressa. --- Enquanto isso, no morro, Cristiano estava em reunião com seus homens quando um deles entrou apressado. — Chefe… deu r**m. Cristiano levantou o olhar na mesma hora. — Fala. — Os caras do Ivandi… tão levantando informação. E… — ele hesitou por um segundo — viram você com uma mulher no baile. O silêncio caiu pesado. O olhar de Cristiano escureceu na hora. — Quem viu? — Não sabemos ao certo… mas tão tentando descobrir quem ela é. O sangue dele gelou por dentro. Patrícia. — Merda… — murmurou, passando a mão no rosto. — Eu falei que isso ia acontecer… Sem pensar duas vezes, ele pegou o celular e ligou. Chamando. Chamando. Nada. — Atende, Patrícia… — disse baixo, já tenso. --- Na rua, Patrícia começou a sentir algo estranho. Um arrepio. Como se estivesse sendo observada. Ela olhou para trás… O carro diminuiu a velocidade. Ela franziu a testa, o coração acelerando levemente. — Deve ser coisa da minha cabeça… Mas não era. --- Cristiano já estava fora de si. — Prepara o carro agora! — gritou para um dos homens. — AGORA! — Chefe, o que aconteceu? — Se eles encostarem nela… — ele parou, os olhos carregados de fúria — eu mato todo mundo. --- Patrícia acelerou o passo. O carro também. Agora já não era coincidência. O medo começou a crescer de verdade. Ela pegou o celular, as mãos tremendo… E antes mesmo de conseguir pensar, o telefone tocou. Cristiano. — Alô? — disse ela, a voz já nervosa. — Onde você tá?! — a voz dele saiu firme, mas carregada de urgência. — Tô indo pra casa… por quê? — Tem alguém te seguindo? Ela olhou para trás novamente. O carro estava ali. Mais perto. — Cristiano… — a voz dela falhou — tem um carro… O silêncio do outro lado durou menos de um segundo. — Escuta o que eu vou te falar agora — disse ele, completamente sério — não para. Não olha pra trás. Entra no primeiro lugar que tiver movimento. AGORA. O coração dela disparou. — O que tá acontecendo? — Só faz o que eu tô mandando! — ele elevou o tom — EU TÔ INDO! --- Patrícia começou a andar mais rápido, quase correndo. O carro acelerou. Os homens lá dentro trocaram olhares. — Vai… encosta nela. E naquele momento… ela percebeu. Aquilo não era coincidência. Aquilo era perigo de verdade.
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