Eu dormi muito m.a.l, acordava direto, e quando dormia tinha pesadelos horriveis.
As coisas que Manuela me disse ficam dando voltas e voltas na minha cabeça. O que sera que ela quis dizer com Leandro não ficar vivo muito tempo? E todo esse lance de mafia? Eu sabia que meu pai mexia com coisa errada, mas achava que era so desvio de dinheiro e não trafico.
Eu não sou tão burra, eu sei que mundo não é cor de rosa, e que existe muita gente má no mundo. Mas não sabia que eu estava tão proxima assim.
Agora as coisas fazem mais sentido, tod a fortuna que meu pai tem, e todos os seguranças que Becky e Manuela tem tambem.
Elas sempre fizeram questão de falar que tinham poder, mas achava que era so pelo cargo de esposa e filho do dono da empresa.
Mas realmente uma empresa de marketing não lucraria tanto pra eles viver como vivem.
Perdida em meus pensamentos, nem me atentei ao barulho da porta se abrindo.
Becky entrou com uma equipe de cabeleiro e manicure e maquiadores. Pelo visto o casamento vai ser mesmo importante para eles estarem gastando comigo.
--Ainda na cama? Nem parece que vai casar em poucas horas, vamos levantar, ja deu de ficar de preguiça.
--to indo, calma.. Pra que toda essa gente.
--Se você pensa que vai sair parecendo uma sem teto para se casar com um homem poderoso como Leandro, você está muito enganado.
O tempo passou voando, entre fazer cabelo, maquiagem e unha. Becky e Manuela ficaram o tempo todo de piadinhas, e comentários. As pessoas em volta fingiam não perceber nada, e fiquei grata por isso. Consegui manter minha cara sem demonstrar sentimento ate o final.
Quando estava finalmente com o vestido, meu pai bate na porta e entra.
--Olha só, acho que Leandro vai gostar do que vai ver. Vamos?
Respirei fundo e segui meu pai ate o pátio de casa.
Com os pensamentos confusos nem me atentei que o casamento seria no quintal de casa.
A casa estava cheia de convidados, e empregados.
O quintal que era enorme, junto a piscina com borda infinita com uma vista para outra parte do jardim que tinha um enorme labirinto.
O quintal estava cheio de rosas brancas e rosas vermelhas, as cadeiras dos convidados todas alinhadas em filas, e o corredor que eu devia passar estava todo decorado com petalas de rosas.
Meu pai deve ter gastado uma fortuna em tudo isso. A imagem de filha que ele quis passar pros convidados não e a que tinhamos em casa.
Quando nos arrumanos no inicio do corredor, eu segurei o braço dele para ele me levar ate Leandro, que ainda não tinha visto ele no gazebo que so agora percebi estar ali. Esse é novidade aqui, não tinhamos, deve ter vindo so pra a festa.
O padre esta com cara de poucos amigos, parecendo atrasdo para outra coisa.
Olho em volta e não vejo ninguem parecido com as fotos que vi na internet.
Meu pai caminha me guiando mesmo assim, tento falar baixinho com ele
--pai cade o noivo?
--fica quieta e sorri.
Ele falou seco. Engoli e continuei caminhando.
Ao chegar na frente do padre, ele me cumprimentou
--Todos de pé para celebrar o amor e a união de Mariane e Leandro.
O padre ficava falando como se Leandro estivesse presente, mas eu não conseguia ve ele. Eu estava de pé em frente o padre em um enorme vestido de noiva, sem conseguir respirar direito por conta do espartilho que estava super apertado, pensando que estava mais uma vez fazendo papel de boba na frente de todo mundo.
Becky e Manuela estava com um sorriso presuncoço no rosto, como se o show estivesse maravilhoso.
Não sei como elas não sao mae e filha biológicas, porque são muito parecidas.
O padre continuava a falar e falar, e eu ja tinha parado de prestar atenção, meus pensamentos vagando, pensando em como minha vida era injusta deste que eu estive na barriga da minha mãe. Acho que talves meu pai tivesse razão, eu não deveria ter nascido.
Escutei o padre perguntar se alguem era contra o casamento, e pedir para eu assinar a certidão de casamento. Nesse momento eu vi que Leandro ja havia assinado.
Então todo mundo sabia que ele não viria, e eu vim pra esse show sozinha.
Com a mão tremendo, tentando não deixar cair as lagrimas acumuladas nos meus olhos, eu assinei meu nome.
A esperança de dias melhores, ou menos piores estava viva dentro de mim, e eu estava cuidando para não perder.