Capitulo 3

935 Palavras
Eu precisava admitir, eu estava um pouco ansiosa e curiosa pra conhecer Leandro. Sera que ele seria um cavalheiro? Sera que ele iria se apaixonar por mim? Será que eu poderia ter uma vida diferente longe daqui? Ser feliz com ele? Será que ele estava feliz com essa ideia de casamento? Eu devo parecer uma idi.o.ta pensando nessas coisas. Como que um homem como ele, que pode ter qualquer mulher a disposição dele iria querer sair com alguem como eu. Pensando nisso, me faz pensar que talvez ele nem vá ser fiel. Eu vou continuar trancada em casa, limpando e passando, cozinhando enquanto ele vai ta por ai, com varias mulheres.. Pensar nisso me deu um aperto do peito. Terminei de pentear meu cabelo, e quando abri o guarda roupa me dei conta que não tinha uma roupa que fosse apropriada para conhecer meu futuro marido. Pensando nisso nem percebi quando a porta do quarto se abriu e Becky entrou segurando um vestido vermelho. Levei um susto quando ela começou a falar. -Imaginei que nao teria o que vestir, então para voce nao nos envergonhar na frente dele, eu peguei um vestido pra voce, talvez fique um pouco apertado, ja que Manuela e bem mais magra que voce. Manuela tinha corpo de top model. Ela tinha personal particular, a academia da casa a disposição e eu pra cozinhar todas as comidas fit que ela inventava que queria e que seria bom pra ela manter o corpo. Peguei o vestido na mão sem agradecer e fiquei esperando Becky sair do quarto. Fiquei uns 15 minutos segurando o vestido pensando se eu faria mesmo aquilo. Por fim, coloquei o vestido passei um glos e coloquei uma sandalia que eu tinha comprado em um brechó a alguns anos. Quando cheguei no andar de baixo, vi um casal de meia idade sentados no sofá conversando com meu pai e Becky. Manuela nao estaria presente hoje. O senhor estava em uma postura elegante, eu chutaria uns 40 anos para ele, mas com certeza teria mais pelas rugas nos cantos dos olhos e os varios fios brancos na barba e no cabelo. Ele parece alguem rico e importante. O terno de marca dele exala poder e dinheiro, e ao seu lado uma mulher mais jovem, acredito não ter mais de 35 anos. Cabelo impecavel, maquiagem perfeita, e a roupa justa mostrandos todas as curvas que com certeza ela mantem com muito treino. Um casal que claramente exala poder e dinheiro. Olhei para eles e cumprimentei com um boa noite, e um acenar de cabeça tentando parecer educada. Não queria deixar meu pai bravo essa noite. Nao vi Leandro presente. O senhor sentado junto ao meu pai levantou e caminhou calmo ate minha direção. Me olhou de cima a baixo. --Vire por favor. Pisquei incrédula mas no automático dei uma voltinha na frente do senhor. --Acho que vai servir pro Leandro. Ele precisa tomar jeito. Ele terminou de falar e se sentou novamente ao lado da mulher que eu julgo ser mae de Leandro. Meu pai entao levantou e chamou todos pra sala de jantar. Nao sei como nao ouvi esse pessoal todo dentro de casa. Tinha cozinheiro, ajudantes, e garçons. Devem ter planejado isso a alguns dias. O jantar passou tranquilo. Meu pai e o pai de Leandro Senhor Orlando, conversando. De vez em quando meu olhar parava na elegante mulher ao lado dele, e eu pude ver um olhar de empatia vindo dela. Quando terminamos o jantar, meu pai entao falou. -Então, posso garantir que o acordo vai ser finalizado senhor Orlando? -Sim, vamos assinar o contrato logo apos a cerimonia. Deixe tudo organizado. -e Mari, Leandro pediu pra entregar isso. Ele tirou do bolso do paletó uma caixinha de veludo vermelha e entregou na minha mão. --Ate domingo. -Domingo? Achei que seria na próxima semana. -Não que faça diferença pra você, mas precisamos acabar logo com isso. Até mais. Ele virou e saiu pela porta, com sua mulher o seguindo logo depois. Fiquei ali, segurando a caixinha, nem abri, pois sabia o que tinha dentro. -Bom, suba descanse que logo voce será o grande dia. Não disse nada, apenas virei e comecei a caminhar. Subi as escadas com coração batendo forte. A caixinha de veludo na minha mão parecia queimar. Ele nem teve coragem de vir pessoalmente. Acho que isso responde todas minhas perguntas anteriores. Vou sair de uma prisão pra ir para uma pior... Por um momento pensei em tudo que eu podia ter vivido se minha mae fosse viva, se meu pai nao me odiasse, se eu nao fosse tão parecida com ela. Se minha irma me ajudasse ao invés de me prejudicar cada dia mais. Por um momento, enquanto entrava no meu quarto, me permiti sonhar. Sonhar em um mundo onde eu fosse livre, onde eu tivesse escolhas, onde eu tivesse uma vida minha e nao uma vivida para agradar as pessoas. Por um momento eu gostei da vida do sonho, eu queria ir pra escola, queria ter amigos, queria ter alguem para abraçar, queria ter um pai que me amasse, queria ter alguem que se importasse comigo, de verdade. Queria poder mandar em mim mesma, queria poder ter voz, poder falar o que eu quero sem medo, sem amarras. Iria pra escola, teria amigos, pensaria em faculdade, talvez ate conhecesse algum rapaz legal, que eu iria namorar, dar meu primeiro beijo, e ate mesmo minha primeira vez, e seria incrivel, porque eu iria querer aquilo. Sai dos meus sonhos, e peguei o celular que havia deixado ao lado da cama, tentando pesquisar mais sobre Leandro.
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