MARIANA NARRANDO
Já são cinco da manhã e eu já estou de pé e arrumada para ir embora, coloquei o pouco que tenho em um sacola e saio dali e passo pelas portas da igreja sem ser notada a não ser pela...
— Mariana. — Eu olho pra trás.
— Maria? O que faz acordada a essa hora? — As ruas da cidade estavam desertas.
— Hoje é dia de visitar minha família, pegou o ônibus mais ou menos esse horário. E você? Vai pra onde? — Ela pergunta dando uma olhada na sacola.
— Não posso mais ficar aqui Maria, o padre corre risco perto de mim, já estão comentando e ainda tem a mãe dele, ela queria me levar para ficar no hotel com ela, mais o pouco que conversei com ele eu já não a suporto.
— E você vai pra onde? Está pensando em voltar pra sua família? Pra se casar a força? — Ela pergunta e eu sinto meu coração apertar.
— Eu não sei ainda, é a minha única opção no momento eu... — Antes de eu terminar de falar ela me interrompe.
— Vai pra minha casa, ninguém vai te achar lá, é uma casa simples, mas você sempre poderá ficar lá. — Eu olho nos olhos dela.
— Você tem certeza? — Ela me encara e logo em seguida sorri e balança a cabeça em sinal de positivo e abraço ela.
— Muito obrigada.
— Vem. — Ela começa caminha só sentido de sua casa.
— Mais você via perder o ônibus. — Afirmo quando ela para em frente a uma casa pequena que tem um cercado de madeira.
— Posso ir outro dia, não se preocupe, venha deixar eu te instalar, pertinho da igreja ne?
— Entramos na casa, ela tinha dois cômodos mais era tão acolhedora.
— Vou voltar pra igreja tenho que limpar e fazer o café para o Padre. — Eu olho pra ela, e segura nas suas mãos.
— Por favor não comente que estou aqui. — Vai ser bem melhor assim a gente ficar longe um do outro.
— Tudo bem, seu segredo está seguro comigo, se sentir fome pode pegar o que quiser.
Ela sai e eu começo a limpar a casa, eu tinha que agradecer de alguma forma.
PADRE HENRI NARRANDO
Me levanto e faço minhas higienes, mais tarde teria um batizado para fazer e queria estar pronto, quando saio do quarto já vestido, bato na porta de Mariana, precisávamos conversar, resolver toda essa situação.
Bato novamente mais ninguém abre e não responde.
— Mariana? Eu vou entrar. — Eu aviso e como o silencio continua eu abro a porta mais o quarto dela estava vazio.
Não havia nada dela ali, o quarto estava totalmente limpo, é como se ela nunca estivesse estado ali.
— Padre? — Maria apareceu na porta.
— Você viu a Mariana? — Eu pergunto e ela n**a com a cabeça.
Ela me deixou...
Meu celular começou a tocar no bolso, será que era ela que se arrependendo de ter ido embora, e está me ligando para buscá-la?
— Alo?
— Padre Henri? — Era uma voz masculina, não era ela.
— Sim sou eu.
— Sinto lhe informa Padre, mas seu pai acaba de falecer.
O que? Meus pais eram separados e o meu pai morava em Portugal, mas até onde eu sei ele era saudável.
— Como? Eu nem sabia que ele estava doente. — Eu digo um pouco tremulo, tentando entender o que está acontecendo.
— Foi um acidente de carro, eu sinto muito, meus pêsames. — Ele fala e os meus se enchem de água, não sou a Mari me deixou, o meu pai também.
...
Eu estava de joelhos em frente ao altar eu rezava pela alma do meu pai e para ter algum conforto amis eu não conseguia, só existe uma pessoa que poder-me-ia da algum conforto, mas ela se foi.
— Já soube filho? — Me levanto e me viro minha estava ali parada sorrindo.
— Como você pode estar bem com a morte dos outros? Ela sorri ainda mais.
— Seu pai nunca prestou meu filho, ele era um sonhador demais, eu sempre fui pé no chão, sem contar que ele era um mulherengo e sempre me traia. — Ela estava falando m*l de uma pessoa que nem se quer estava mais entre nós para se defender.
— Isso é motivo para sorri com a morte alheia? — Eu a repreendo e ela revira os olhos.
Ela nem se quer perguntou como eu estava? Não me deu um abraço eu acabei de perder meu pai e ela nem se importa.
— Cadê aquela demônio que te atenta? Eu vim buscá-la. — Por que ela está falando dessa forma?
Será que ela sempre foi assim eu que nunca conseguir enxergar como ela é de fato?
— Mariana não é um demônio mãe, e ela não está mais aqui, ela foi embora hoje cedo.
Ela abre um sorriso largo e bate palmas.
— Deus é justo mesmo, e conseguimos livrar de dois coelho com uma cajadada só.
Eu tinha que ter paciência, mas ela não estava ajudando.
— Mãe por favor... Respeita meu luto, eu quero ficar sozinho. — Eu afirmo já cansado.
— Ta bom então meu amor. — Ela se aproxima e me dar um beijo na testa, depois sai.
Eu volto a me ajoelhar com lagrimas, meu pai não era r**m, ele só era um sonhador, acreditava em seus olhos e que um dia poderia ser um cantor, mas a minha mãe nunca o apoiou.
Isso resultou na separação deles, e meses depois ele arrumou uma pessoa, e esse é o único motivo dela está chamando ele de galinha.
— Padre? — Maria me chama, e eu limpo as lagrimas antes de olhar pra ela.
— A única coisa que eu queria Maria era não ter essa vida, qualquer outra pessoa no mundo, qualquer pessoa menos eu.