ANA NARRANDO
Levanto com o despertador, faço minha higiene matinal. E sigo a rotina de sempre.
Era comum acordar com a sensação de vazio, depois que minha mãe me expulsou tudo passou ser meio monótono. Não tenho contato com minha família, não tenho muitos amigos, minha vida passou a ser trabalho e estudo. E já se passaram 3 anos, mas eu não consigo ter uma relação sólida, nem de romance nem de amizade.
Chego na faculdade com a Júlia já tagarelando no meu ouvido logo cedo.
- Não esquece da estética hoje amiga.
- Não vou esquecer, impossível. Você tá falando no meu ouvido desde a hora que chegamos.
- Aí eu só quero passar um tempo com você, você tá muito distante.
- Não tenho tido muito tempo Ju, mil desculpas vou tentar compensar isso depois de sexta tá bom?
- Acho bom!
Fomos em direção a sala, prestei atenção na aula e realizei minhas anotações.
Saí da faculdade na hora do intervalo pois iria almoçar e ir pra estética com a Júlia, parei no shopping e sentei no MC Donald's, vi de longe um homem abraçado com uma garota chorando, tentei prestar atenção na conversa fazendo leitura labial mas não consegui.
Voltei minha atenção ao telefone quando chega mensagem de Iago.
Iago é um ex ficante/namorado, tivemos um rolo passageiro. Mas ele não me deixa em paz nunca.
WhatsApp on
Ex-quecer: Iai Aninha fazendo o que ?
Ana: Meu Deus achei que você tinha esquecido meu número
Ex-quecer: Mas por que ? Tava com saudades ?
Ana: Pelo contrário, estava feliz por finalmente ter me livrado de você.
Ex-quecer: Magoei!!!
Ana: Ponto pra mim
WhatsApp off
Saio do celular e vou caminhando até a clínica, encontro a Júlia na portaria e subimos até a sala.
Faço todos os procedimentos que a Júlia me obriga e saio, preciso ir pro trabalho e já estou um pouco atrasada.
Chego em casa, tomo um banho, boto minha roupa da noite na mala e me visto discretamente com uma calça de moletom e regata, peço um Uber e vou em direção a mais um dia de luta.
Chegando na boate.
- Preciso conversar com você.
Dani a gerente da boate vem em minha direção com uma cara não muito boa.
- Lua preciso que o show de sexta seja o melhor que você consiga, a gente precisa faturar e você é a atração principal, por favor.
- Mas Dani, eu dou sempre o meu melhor, jamais vou te deixar na mão.
- Olha eu nunca estive com tanto medo como tô dessa vez, uma sensação esquisita, não me abandona tá?
- Oxi mulher tá louca ?
Eu estava achando a atitude esquisita, ela tava com uma cara de medo de verdade.
- Aí Ana você sabe que você é a que mais fatura aqui, mesmo sem programa. Eu só tô com medo dessa noite não dar certo.
- Relaxa Dani, vou fazer o que eu puder.
Entrei no camarim pensando no que ela me disse e acabei ficando mais nervosa que o habitual pro show de sexta.
Fiz meu show da noite e fui pra casa.
Tomei um banho e deitei, ainda pesando no que a Dani tinha dito, nunca vi ela com tanto medo. Talvez esteja acontecendo algo com as finanças e ela ainda não teve coragem de contar. Enfim, vou tentar conversar com ela e entender o que tá rolando. Dani sempre foi meu porto seguro, ela é uma das poucas pessoas que sabem da minha história, quando minha mãe me expulsou de casa precisei ficar morando na boate por algumas semanas até juntar dinheiro pra alugar meu apartamento. Dani me deu abrigo e me ajudou em tudo que precisava, devo muito a ela. Ela sempre fez de tudo pra eu não me deslumbrar e acabar fazendo programa, o que eu segui fielmente e por isso tenho muita gratidão a ela.
Adormeço sem ao menos sentir, tão grande é o cansaço.