— Tudo bem? — Aurora tocou meu braço, me tirando dos meus pensamentos.
Procurávamos em todos os lugares que achamos propícios para Mikael se esconder, mas não encontramos nenhum sinal dele. E além de Klaus, ele era uma ameaça muito grande.
— Sim, é só que tem tanta coisa acontecendo e agora o Lucien...
— Eu também estou achando ele insuportável assim.
— Não é isso.
— Admita, Mary.
— Talvez um pouquinho.
— Eu nunca vou me cansar de dizer que você merece coisa melhor que ele.
— Não é como se eu fosse me casar com ele.
— Só de passar meia hora com ele já é uma eternidade.
— O que acha de passarmos no Rosseau e ter um pouco de folga disso tudo?
Aurora concordou e fomos para lá em seguida. Por hoje desistimos de procurar por Mikael, sabendo que poderia haver consequências se não o encontrarmos, mas já tem gente demais a procura dele e uma hora ou outra ele vai aparecer.
Sentei em uma mesa com Aurora e Cami nos entregou uma garrafa de bebida. Não pude evitar sorrir para ela como comprimento.
— O que foi isso? — Aurora ergueu as sobrancelhas.
— Não posso dizer que sou amiga, mas tenho simpatia por ela.
Ela soltou um grunhido de desprezo e balançou a cabeça negativamente, mas não disse nada.
Ignorando aquilo, virei minha cabeça para examinar o local e um homem em especial me chamou atenção. Ele olhava para mim como se me conhecesse, então desviou o olhar e virou o copo.
— E você já teve alguém depois do Klaus? — Perguntei, tentando desviar a atenção do incômodo dos olhares daquele homem.
— Namorar?
— Se apaixonar.
— Toda semana. — Ela soltou um riso divertido. — E você?
— Não. — Balançei a cabeça negativamente. — Quero ficar longe disso.
Observei com o canto do olho Cami levar uma garrafa de bebida para o homem e assim que ela voltou para trás do balcão, fui até ela.
— Já volto — avisei a Aurora.
— Mary — Cami sorriu quando sentei em um banco a sua frente —, como vai?
— Estou bem. — Sorri sem mostrar os dentes. — Sabe quem é aquele homem? — Perguntei, apontando discretamente com a cabeça para ele.
— Nunca o vi por aqui, mas ele veio com outro homem, acho que são irmãos. Por quê?
— Não sei — dei de ombros fitando as mãos —, tem alguma coisa estranha sobre ele.
— Sabe me dizer se Klaus Mikaelson vai aparecer por aqui? — Uma voz rouca disse atrás de mim e virei a cabeça o suficiente para ver aquele homem.
— Não sei se ele vai vir hoje, as coisas estão complicadas no Quartel — Cami respondeu, passando seu olhar em mim.
— Bom, eu vou até lá então — ele respondeu, dando de ombros, então sentou no banco ao meu lado e brincou com o copo na mão. — Á propósito, sou Damon Salvatore.
— Cami O'connel — Cami respondeu, acenando com a cabeça.
Damon me olhou, esperando uma resposta, então olhei para ele e encarei por alguns segundos seus olhos azuis.
— Mary Stuart — respondi, me levantando ainda sem tirar os olhos dele.
Sem esperar resposta, voltei a minha mesa e Aurora cruzou os braços.
— Por que demorou tanto? — Ela questionou.
— Perguntei a Cami quem era aquele homem.
— E quem é?
— Damon! — Outro homem entrou aflito e com pressa.
— O que foi? — Damon perguntou com desinteresse.
— Precisamos ir agora! O Klaus está com o Kai.
Damon se levantou apressadamente, pegando a jaqueta de couro e saiu em velocidade de vampiro atrás do outro.
Meu queixo caiu em surpresa e quando olhei para Aurora, que estava com a mesma expressão.
— Quem são eles? — Ela perguntou enquanto saia comigo logo atrás.
— Eu não sei. O de olhos azuis disse que era Damon Salvatore.
— E como o bastardo pegou o i****a do Kai?
— Talvez tenha sido armadilha do Mikael. Ele nos odeia, seria fácil nos entregar para o Klaus.
Quando chegamos em casa, Lucien e Tristan estavam jogados no sofá se alimentando de duas mulheres em seus colos. O chão estava encharcado de sangue e o tapete com uma grande mancha vermelha, além de garrafas de bebidas e o som ensurdecedor da música alta.
— Eu vou m***r alguém! — Aurora disse entre a música alta, fechando os punhos.
— Calma, Aurora — falei, segurando o braço dela.
Fui até o som e desliguei a música, fazendo Tristan e Lucien me olharem com cara f**a.
— O que é isso? — Aurora questionou aos dois.
— Pedimos delivery — Tristan respondeu rindo e Lucien acompanhou.
— Não importa que seja meu irmão, Tristan, eu vou te m***r sem nenhum remorso!
— Cala a boca e não estraga a festa, Aurora — respondeu Lucien.
— O que você disse? — Ela olhou para ele.
— É isso mesmo. Eu estou aguentando seus surtos por muito tempo, mas agora nós estamos no controle aqui — ele disse e Tristan balançou a cabeça, concordando.
— Sai daqui agora ou eu juro que arranco sua língua fora!! — Aurora gritou, apontando para a porta.
Lucien colocou a mulher de lado e se aproximou dela com a boca escorrendo sangue.
— Se gritar comigo de novo quem vai ter a língua arrancada é você. — Ele empurrou ela contra a parede.
Olhei para Tristan e ele só ria com a mulher em seu colo, estava claramente bêbado e s*******o nenhuma do que acontecia.
— Lucien! — Gritei, empurrando ele para longe de Aurora.
— Pronto. — Ele ergueu as mãos e confirmou que não faria mais nada.
— O que é isso? — Questionei, apontando para a casa.
— Depois do longo dia, eu e Tristan merecíamos alguma recompensa.
— Espalhando sangue pela casa toda? — Cruzei os braços. — E quem é ela? — apontei para a mulher que estava com a mão no ferimento do pescoço.
— Não precisa ficar com ciúmes. — Ele sorriu, vindo até mim. — Eu só estava me alimentando dela.
— Não é esse o ponto. — Segurei os braços dele que insistiam em me abraçar. — Você não iria machucar a Aurora, não é?
— É claro que não. — Ele olhou para ela com uma cara nada agradável. — Eu e Aurora somos como irmãos.
— Pareceu que estava fora de controle.
— Eu só estava me divertindo. — Segurou minha cintura e sorriu. — Aliás, eu estava esperando por você.
— Não temos tempo pra isso. O Kai foi pego pelo Klaus e dois homens estranhos estão na cidade.
— O Kai não vai fazer falta. Ele pode esperar até amanhã.
— E se alguma coisa acontecer com ele?
— Nós sabemos como o Klaus é previsível. Ele tortura, tenta tirar informações e depois mata. Eu diria que o Kai tem mais três dias antes disso acontecer. — Ele passou a mão pelos meus cabelos. — Vamos esquecer ele só por hoje e eu prometo que amanhã vou atrás dele.
Olhei para Aurora que negou com a cabeça, então olhei para ele e forcei um sorriso.
— Tem razão — falei. — Tivemos um dia longo, merecemos isso.
— É isso aí. — Lucien sorriu, beijando minha bochecha.
— Mary — Aurora chamou e me virei para ela —, preciso falar com você.
— Vai lá e eu já vou — falei a Lucien.
Lucien ligou novamente a música e voltou a se alimentar da mulher.
Segui Aurora até seu quarto e ela parecia nervosa quando fechou a porta e sentou ao meu lado.
— Você não vai ficar com o Lucien hoje, não é? — Ela perguntou com o cenho franzido.
— Qual o problema?
— O problema é que eu já vi ele em sua pior versão e o início é sempre assim.
— Ele está fascinado com o poder que tem.
— E por isso ele é perigoso.
— Aurora, relaxa. — Sorri, acalmando-a. — Não tem com o que se preocupar.
— Mas e o Kai?
— Ele pode esperar até amanhã. — Me levantei, indo até a porta. — Vem?
— Estou com tanto ódio que não quero mais olhar pra aquele sádico essa noite. — Ela fechou a cara.
— Olha, Aurora, eu nunca vou entender a briga de vocês, mas eu gosto do Lucien e não acho que ele seja um monstro como você fala — falei, suspirando. — Eu faço isso porque já faz muito tempo que eu não faço nada por mim e sempre tive pessoas me dizendo o quanto estou errada e que preciso seguir um roteiro. Não seja essa pessoa.
— Faça o que quiser — ela disse simplesmente e desviou o olhar.
Ficamos alguns segundos em silêncio, então fechei a porta ao sair do quarto.
Voltei para a sala e Lucien pegou minha mão, me conduzindo até seu quarto.
— Quero te mostrar algo — ele disse, próximo ao meu ouvido.
— O quê? — Sorri.
Ela soltou minha mão e tirou uma adaga prateada de uma caixa de madeira, então foi até o espelho e cortou sua boca de orelha a orelha.