Nova Casa

1178 Palavras
Chegamos de táxi na casa dele,onde era um bairro afastado do aeroporto,mas o importante era que nós chegamos em segurança. - E aqui estamos.Gabriel disse, descendo do táxi.- Me desculpe se ela estiver um pouco desarrumada, é que o meu primo ficou doente e não pôde vir cuidar da casa. A casa não era uma das piores do mundo,ela era até que aconchegante. Ele puxou uma chave e abriu o portão,de onde saiu um Pitbull abanado o r**o para o Gabriel. Minha alma quase saiu do meu corpo quando eu vi aquele cachorro; já vi muitos relatos de pessoas sendo atacadas por um cão desta mesma raça. - Jujuba!Gabriel abraçou o cachorro como se eles nunca mais iam se ver na vida. - "Jujuba"? Eu perguntei,surpreso. - Sim, é o nome dela. Gabriel me respondeu,colocando a c****a para dentro da casa. Nós entramos,e posso admitir: o primo dele fazia um ótimo serviço dentro daquela casa; além que o Gabriel era um ótimo decorador. A primeira coisa que Gabriel foi depois que colocou os pés para dentro daquela casa foi deitar naquele sofá branco e macio. - Você está realmente cansado,hein? Eu sentei do lado da cabeça dele. - Uh. Ele murmurou,cansado. Ele se levantou rapidamente,recuperando o fôlego. - Ai meu Deus,eu esqueci de te alimentar! Gabriel saiu do sofá em um pulo. - Tem algo que você não pode comer? Ele me perguntou desesperadamente,com as mãos nos meus ombros. - Eu não posso comer nada que contenha lactose. Eu respondi,sem muita fome. Depois de processar essas palavras,ele entrou no carro dele e acelerou com pressa. Eu aproveitei essa "brecha" para explorar a casa,e até que eu gostei bastante dela,ela é confortável. Eu abri minha mala pegando o meu diário que era em formato de quadrinho,e comecei a atualizá-lo. Cada traço dos desenhos demonstrava uma emoção, demonstrava sentimentos. Depois de uns 32 minutos, Gabriel voltou. Ele entrou na sala de estar,recuperando o fôlego, com algumas sacolas de compra nas mãos. - Você já chegou? Eu brinquei sarcasticamente com ele. - Me desculpe se demorei muito,a maioria dos supermercados estão fechados a esta hora da noite. Ele respondeu,recuperando o fôlego. Ele tirou de uma das sacolinhas dois pacotinhos de marshmallows brancos,me deu um e o outro ele levou para a cozinha,junto com as sacolas de compras. Eu ouvi ele preparando algo na cozinha mas eu não fui lá checar oque era,não queria estragar a surpresa. Depois de alguns minutos, Gabriel voltou com um prato na mão. - Tome,aqui no Brasil isso se chama Vaca Atolada. Disse ele,me entregando o prato de comida,com um pano de prato em baixo para não queimar minhas mãos. Eu peguei o prato e comecei a comer devagar,olhando Gabriel voltando para a cozinha para pegar o prato dele. Ele voltou e pegou o controle da TV. - Quer assistir alguma coisa? Ele perguntou gentilmente enquanto se sentava ao meu lado no sofá. - Não sei. Eu disse,dando de ombros. Ele pensou um pouco. - E que tal assistirmos Dexter? Nós não acabamos de assistir no avião,então podemos acabar aqui. Ele disse,ligando a televisão. - Hm. Eu murmurei, concordando com a ideia. Nós começamos a assistir Dexter na primeira temporada, já que eu não tinha tempo para conseguir passar dela. Eu apreciava cada momento daquela série,cada morte,cada gota de sangue derramada;enfim,eu realmente gosto daquela série. A noite foi boa; conversamos,rimos,e até contamos algumas coisas das nossas vidas,até que chegou a hora de dormir. - Acho que já está na hora de dormimos. Disse Gabriel, já sonolento. - Venha,me siga para eu mostrar onde você irá dormir. Gabriel falou, enquanto levantava do sofá. Eu o segui pela casa. Subindo as escadas eu notei algo estranho: tinha dois quartos no andar de cima e um embaixo,e apenas um deles era mobiliado. Gabriel entrou em um quarto onde havia uma cama de casal já preparada para dormir,tinha também um guarda-roupa e duas cômodas em casa lado da cama. Daí eu percebi: Nós íamos dormir juntos! Eu sei que eu demorei um pouco para perceber isso mas,quando eu percebi eu fiquei completamente sem reação! Eu fiquei em choque! - Eu vou trocar de roupa. Gabriel me avisou,saindo do quarto para que eu tivesse tempo de processar tudo. Eu respirei fundo tentando olhar por algum lado positivo,algo que eu raramente costumo fazer. Depois de alguns minutos ele voltou vestido com uma blusa de manga longa e um shorinho meio curto. Ambos com estampa de morango. - Você se importa se nós dormirmos juntos? Gabriel se encostou na porta,com os dedos entrelaçados um no outro de vergonha. - Hm,acho que não. Fingi não me importar. Me deitei,sentindo aqueles lençóis macios e que cheiravam a perfume de bebê e fingi dormi,porque eu sentia que algo errado,porque ninguém convida um estranho para morar em sua casa sem segundas intenções. Depois de algumas horas, Gabriel me balançou um pouco e dizendo o meu nome,eu acho que eu nem preciso dizer o quanto estranho isso foi,mas mesmo assim eu fingi dormir. Gabriel desistiu de tentar me acordar e eu senti sua respiração mudando, não de uma forma r**m,mas ela foi de uma respiração normal a uma respiração calma. É claro que se nós tivéssemos nos conhecido antes,ele com certeza não faria isso para não levar três socos na cara. Mas continuando, depois de ele ter desistido de me acordar,ele me deu um beijinho na bochecha e cobriu o meu ombro. Eu realmente pensava que essa loucura tinha acabado mas eu estava errado; quando eu menos esperava,eu senti a perna dele timidamente passando por cima de mim. Depois eu senti ele me abraçando com a mão. Eu me senti um ursinho de pelúcia sendo apertado por uma criança que decidiu dormir abraçado com ele. ***************** No dia seguinte eu acordei com uma sensação de ressaca,como se eu tivesse passado o dia todo bebendo cerveja. Me levantei,fui ao banheiro,lavei o rosto e desci as escadas que levavam para a sala e cozinha. Vi Gabriel se apoiando no balcão de pedra da cozinha,com uma expressão pensativa e um tanto quanto preocupada. - Gabriel? Eu o chamei. -Lian,você acordou! Gabriel veio em passos leves até mim e me abraçou,como se fosse o nosso último abraço.- E então, o que você vai querer para o café da manhã? -hm...eu...na verdade eu não sei.. Eu disse, enquanto tentava lembrar o nome de alguma comida. - Tadinho, está muito cansado para pensar em alguma coisa,acho que umas panquecas com suco de laranja cairiam bem agora, não acha? Gabriel foi direto pra cozinha preparar o meu café da manhã. Eu me sentei em uma cadeira e coloquei os braços em cima do balcão,refletindo sobre tudo oque aconteceu até agora e o porquê de Gabriel ser tão doce comigo. Quando meu café da manhã ficou pronto, Gabriel me disse que iria subir para o quarto,eu sei lá para quê. Eu não me importei muito e comi as panquecas quentinhas que Gabriel fez e bebi o suquinho doce de laranja. Por educação, eu lavei o prato e o copo para ele não ter coisa para lavar depois.
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