Sofia narrando A música já batia forte no peito antes mesmo da gente chegar na varanda. Lá embaixo, a pista improvisada tava lotada. Luzes piscando, copos erguidos, risos soltos. O morro inteiro parecia ter descido pra festa, como se por uma noite o perigo tivesse dado trégua. Eu desci com Marcela, de vestido curto e colado, o cabelo preso de lado, maquiagem leve e salto baixo — o suficiente pra me sentir bonita, mas ainda firme no chão. O Lobo já tinha descido antes, foi resolver uns esquemas com LK e os vapores. Disse que logo voltava pra me buscar. A gente passa pelo corredor cheio, e eu já sinto os olhares. Alguns de inveja, outros de desejo. É sempre assim. Ser “a mulher do Lobo” pesa mais do que parece. Não posso tropeçar, não posso sorrir demais, não posso beber além da conta. Aq

