CAPÍTULO 07

1015 Palavras
Juliana não tinha experiência com relacionamentos amorosos e com sentimentos desse tipo, mas ela acreditava que saberia a hora que estaria apaixonada o bastante para se casar e entregar-se totalmente a um homem, ela não tinha em sua mente a ilusão de que encontraria um príncipe e não estava se guardando para um homem assim, no entanto se valorizava e não tinha vontade de se entregar para qualquer um, sabia que se ficasse com Eduardo ele faria de tudo para a ver feliz, mas não era por ele que seu coração palpitava como ela acreditava que deveria acontecer quando se apaixonasse, na verdade durante muito tempo não esteve a fim de ninguém, mas pensava que quando estivesse, seria parecido com o que sentiu quando viu Roberto, onde seu coração acelerava, suas bochechas ficavam rosadas e quando ele pegou em sua mão seu corpo estremeceu; ela não sentia isso com Eduardo, ele era uma pessoa normal em sua vida, não sentia-se impactada com a presença dele ainda que gostasse muito dele e se sentisse bem ao seu lado, “Seria muito mais fácil” pensou ela se levantando para dar o sinal no ônibus e descer “se Roberto fosse Eduardo, um é bom, trabalhador e gosta de mim, o outro é perigoso e assustador e não está nem aí para mim”, ela suspirou fundo pensando nos dois e desceu quando o ônibus parou. Observava a agitação e alegria no início do morro, ali não parecia estar ninguém de luto, nem triste pelo que tinha acontecido na madrugada, pelo jeito esse lado da comunidade não tinha perdido ninguém, na padaria de esquina estava cheio de pessoas, eles riam, bebiam e sambava, a alegria era tanta que Juliana não entendi o porquê de tanta alegria, assim como não sabia o motivo de tanta festa enquanto eles gastavam ali o salário ganhado sofrida no mês e a possibilidade de uma vida melhor, pois conhecia muito deles e alguns até ficavam como pedintes na frente do mercado em que ela trabalhava, por mais que tentasse entender não conseguia, se indignando com a vida alheia e subindo cansada para sua casa, no caminho a alegria se repetia em diversos lugares, mudando apenas a música e fazendo uma mistura de estilos musicais, ela olhava os adolescentes fortemente armados em ponto específicos sem camiseta com um cigarro na boca e a latinha de cerveja do lado, pensava se eles já tinham disparados com uma arma daquelas e se teriam coragem para matar, tirar a vida de alguém, pela lei eles eram vistos como crianças e respondiam como tais, mas seus atos eram de homens obstinados e cruéis, no entanto, ela não sabia se era melhor viver daquela forma sem expectativa de uma faculdade ou coisas do tipo como ela e descobrir quando crescer que sonhar apenas não era o suficiente, novamente Juliana percebia que estava deprimente, reclamando em mente sobre a vida que tinha, ela cumprimentou o menino que até um tempo atrás estava no colo de sua mãe e agora segurava uma arma na esquina, depois subiu mais um pouco, a cada rua que passava maior era a segurança com número de jovens fazendo a guarda, ela pensava que isso era devido à proximidade do lugar onde Roberto devia estar, achando óbvio e mais perigoso, pois eram como as pedras de Maria e João indicando o caminho até a sua casa. Ela continuava pensando na ingenuidade daqueles homens que se achavam tão espertos e quando estava próximo a sua casa observou que o rapaz que ficava naquele ponto a encarava, gerando nela um arrepio temeroso e uma certa desconfiança, ela não se sentia bem, pensava se já o tinha visto ali, mas se o tinha não se lembrava da feição dele, naquele ponto sempre ficava um homem só e eram sempre os mesmos, ele nunca traficava nada e nem exibia armas como o restante, mas estava armado, porque ela tinha visto sobre as roupas deles, as pessoas que faziam a segurança em frente a casa dela eram diferentes, eles não bebiam nem fumavam, não ficavam sem camiseta e nem faziam grandes tumultos, ela sabia que naquela parte algo diferente acontecia, mas naquele fim de tarde percebia algo como a morte rondando o local e o rapaz que nele estava, ao passar pelo rapaz e o cumprimentar, novamente um arrepio r**m a tomava e ela repreendia na sua mente enquanto orava a Deus para que ele tirasse todo m*l daquele lugar. Juliana tinha reparado que eles trocavam de turno depois de doze horas sempre as sete horas tanto de manhã quanto a tarde, portanto acreditava que quando voltasse da igreja, ele não estaria mais ali, mas ainda assim seguia em oração por causa do sentimento que ele lhe passava. Juliana entrou em casa, deu um beijo em sua mãe, outro no pai, notou que estavam diferentes, mais sérios do que de costume, ela guardou a sua bolsa no quarto e voltou para a sala onde os dois estavam sentando no braço do sofá ao lado da mãe e disse: — O que houve que estão tão sérios assim hein? — Acordamos azedos hoje, não sei uma sensação r**m, o Espírito Santo está alertando algo, mas não sei o que é, o seu pai também está sentindo, já oramos, mas não passa, estávamos aqui esperando você chegar para nos certificar que estava tudo bem com você e agora que sabemos que está tudo bem, estamos mais aflitos ainda, eu não sei o que vai acontecer no morro, geralmente eles são um intervalo quando há conquista, mas algo me diz que não vai ser assim dessa vez e que não estamos seguros aqui. — Engraçado- respondeu Juliana- Vocês estarem assim porque estava vindo tranquila, mas quando vinha chegando aqui perto também tive uma sensação r**m, mas não num geral como vocês e sim com um traficante que está aqui na frente, esse eu não conheço, nunca tinha visto, mas vi algo muito r**m nele, sabe esse que fica aqui no posto da nossa casa, senti um peso de crueldade e morte nele.
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