Lenita já estava há 5 minutos na frente do fórum e já estava quase saindo do carro para arrastar Jorge de lá.
Lenita já tinha todo o roteiro pra traumas que não tinha; ela não iria dar munições pra ele um dia usar contra ela.
Lenita já estava perdendo a paciência, ela saiu do carro e Jorge estava saindo do fórum.
– Me perdoa, acabei ficando enrolado! – Jorge diz, segurando as mãos dela.
– Já iria te tirar do Fórum.
– Tava em audiência, me perdoa? Foi de última hora! – Lenita suspira.
– Tudo bem, perdemos a hora no restaurante – ele acaba sorrindo.
– Não era eu que iria fazer isso?
– Imaginei que iria estar ocupado – ele sorri.
– Marquei para 8:30 – ela franze a testa.
– Marcou?
– Sim, estava querendo sair mais cedo, comprar uma coisa para você, mas infelizmente não deu certo.
– Compra o quê? – Jorge sorri.
– Vamos pro carro que te conto
– O meu está bem aqui.
– Então me dê a chave, não vou deixar você dirigir.
– Jura mesmo que vou deixar você dirigir o meu carro? – Ela vai até a porta do passageiro e abre a porta para ele. – Entre, princeso! – Jorge dá uma gargalhada.
– Não, você já veio aqui e me esperou, não vou ser um fdp com você, você merece o meu melhor lado. – Lenita levantou uma sobrancelha e entrou no carro; Jorge fechou e foi para o lado do motorista.
– Posso deixar minhas coisas aqui atrás?
– Pode! – Jorge deixa as coisas dele no banco de trás do carro de Lenita.
Jorge ajeita o banco do carro por conta da diferença de altura dos dois.
– O que iria comprar? – Lenita pergunta curiosa.
– Curiosa.
– Bastante! – Lenita sorri, e Jorge fica olhando pro sorriso dela.
Ela para de rir e os dois ficam se olhando; os dois perceberam que nenhum desviaria os olhos, eles tinham essa mania.
– Por que não abaixa o olhar?
– Por que faria isso?
– Normalmente as mulheres fazem isso.
– Quando se sentem intimidadas, eu não me sinto intimidada.
– Por quê?
— Eu sei que não me machucaria, não de jeito r**m — Jorge acabou gargalhando, mas vai se aproximando de Lenita; ele queria mais proximidade.
Lenita coloca a mão no meio do rosto dele, que pega e, em um momento de descontração, morde de uma forma leve que faz Lenita acabar rindo.
– Quem diria que o grande Jorge Albuquerque sabia brincar?
– Sei fazer muita coisa.
– Como o quê? – A voz de Lenita sai quase igual a um ronronar. Jorge sorriu olhando todo o rosto de Lenita; ele ainda estava com a mão dela na dele.
Jorge leva a mão de Lenita à boca, dando um beijo.
– Só você querer descobrir! – Ele solta a mão de Lenita e liga o carro, levando os dois para o restaurante.
Lenita olha pra frente, mas tenta reprimir um sorriso.
Eles chegam no restaurante, Jorge dá o nome e logo são levados para a mesa em que iriam jantar.
A noite correu entre risos e conversas animadas.
Jorge ainda não tinha encontrado uma garota mais nova que ele com uma conversa tão agradável; até as estagiárias que apareciam para ele pareciam fúteis,mas, com toda a soberba da Lenita, ela parecia humilde.
Era um equilíbrio meio estranho.
Lenita, mesmo não querendo, estava deixando transparecer um lado que não queria mostrar para Jorge, mas a conversa estava tão tranquila e animada que às vezes acabava saindo esse lado que só as irmãs tinham visto.
Depois do jantar, Jorge pediu a conta.
– Quer terminar a noite na minha casa? – Lenita pergunta depois que o garçom saiu com a conta paga.
Jorge achou muito tentador o convite.
– Acho melhor não! – ele diz e os dois levantam.
Mas Lenita não vê que outro garçom está vindo e acaba derrubando bebidas nela; o vestido marfim que Lenita estava fica todo sujo de vinho.
Por alguns segundos o tempo para.
– Porque tu não presta atenção! – um outro homem grita
– Fui eu que esbarrei nele – Lenita diz. – Ele não teve culpa.
– Senhora, é a terceira vez que ele faz isso, ele já estava avisado.
– Por favor, não, não posso perder...
— Vai começar de novo com esse papo de mãe doente e tem que estudar, pega as tuas coisas e vai embora agora! — Lenita vê o rapaz totalmente derrotado indo para fora do salão. — Senhora...
– Não fala comigo! – Lenita sai pisando forte e Jorge sai logo atrás.
– Lenita! – Jorge alcança ela próximo do carro, quando Jorge vira, Lenita vê os olhos cheios de lágrimas. – Por que está assim?
– O rapaz foi humilhado por causa de mim.
– Senhora? – Os dois olham para trás. – A senhora pode me entregar o seu vestido? Vou mandar lavar e entrego onde a senhora mandar.– Lenita olha para o rapaz.
Logo o lado empresária dela aparece.
– Você estuda o quê? – o rapaz olha confuso para ela.
– Contabilidade;
– Falta muito pra se formar?
— Mais um ano — Lenita abre o carro e pega um dos cartões de visita.
– Amanhã, nesse endereço, é só falar que quer falar com Eva Mendes. – O rapaz pega o cartão de visita de Lenita.
– Senhora, eu estraguei o seu vestido.
– Isso? – ela aponta para o vestido. – Moda antiga, posso comprar outro. Amanhã, às 10, Eva odeia atrasos. – O rapaz sorri.
– Obrigado, estarei lá.
— Ótimo! — O rapaz sai e Jorge fica olhando pra ela.
– Consciência pesada? – Lenita olha para o Jorge.
– Também, se for verdade que ele tem mãe doente e trabalha pra ajudar e estudar, vale a pena ajudar.
– Já ouviu dizer que quem tem pena do desgraçado fica no lugar dele? – Lenita se aproxima dele; o cheiro de vinho misturado com perfume dela fez a nuca de Jorge arrepiar; o cheiro ficou totalmente exótico e sensual.
– Ficaram com pena de mim e das minhas irmãs, e olha onde estamos hoje. O que mata é a ingratidão — ela diz, olhando bem fundo nos olhos de Jorge.
Dessa vez quem desvia o olhar é ele.
– Quer trocar de roupa? Minha casa é aqui próximo – Lenita sorri.
– Só se dormi com você!
– Dormi comigo?
– Sim, só dormi – Jorge acaba rindo.
– Tá ok! – os dois entram no carro e vão pra casa de Jorge.
A casa de Jorge era uma mansão antiga, herdada; era uma casa de família.
Lenita ficou encantada com a casa.
– Bonita sua casa.
– Obrigado! – Jorge sai do carro e abre a porta para ela sair.
Lenita sai do carro com uma bolsa que ela sempre deixa no carro para alguma emergência; ela olha ao redor e dá para ver o requinte em tudo.
Assim que entraram na casa, Jorge leva Lenita para o quarto dele.
– Vou pegar uma toalha pra você!– Jorge diz e Lenita entra no banheiro com a bolsa e tira o vestido sujo de vinho, ate a lingerie de Lenita ficou sujo de vinho.
"Vou ter que jogar fora esse vestido."
Lenita pensa olhando o vestido no chão.
Lenita vai para o box e toma um banho usando os produtos; de propósito, ela deixa um frasco de sabonete líquido no banheiro de Jorge.
– A toalha está na porta! – Jorge diz.
– Obrigado.
– Deixei uma blusa minha em cima da cama.
– Obrigada!
Lenita termina o banho e vai fazer a sua rotina noturna de cuidados com a pele, escova os dentes.
Ela pega a toalha que estava na porta e sai enrolada.
Jorge estava sentada na beira da cama olhando o celular e levanta a cabeça.
Jorge olha Lenita sem maquiagem e sorri.
– O que foi?
– Nada! – Ele levanta e entrega um blusão dele pra ela.
– Obrigada – ela pega sorrindo.
Ele vai para o banheiro tomar o banho e tira o cansaço do dia.
Depois que ele entra no banheiro, ela veste o blusão, que fica enorme nela.
Lenita começa a ficar nervosa.
Com toda certeza ele iria querer algo que ela não estava pronta para fazer, e foi ela que insistiu para ir para casa dele.
Lenita pega todas as coisas dela e sai quase correndo da casa de Jorge.
O carro era dela mesmo, então ela entra e sai da casa do Jorge.
Depois de alguns minutos, ela chega em casa; assim que para na garagem, ela recebe uma ligação da Melissa avisando o que tinha acontecido com as meninas.
– Tá indo pra delegacia?
– to.
– Ok, vou ficar acordada esperando vocês.
– Tá bom. – Assim que ela desliga o celular de novo, era Jorge.
Ela respira fundo e atende.
– O que aconteceu? Cadê você? — Jorge diz assim que ela atende.
— Desculpa ter saído assim, aconteceu uma coisa com minhas irmãs e tô indo até elas.
– Algo grave?
– Não, só me desculpa.
– Tudo bem, entendo, família é importante.
– Sim.
– Suas coisas que ficaram aqui?
— Deixa aí, vai que um dia eu precise quando estiver aí.
– Sinal que vai voltar?
– Vou sim.
– Bom saber.
– Jorge, a noite foi maravilhosa.
– Também achei, obrigado.
– Eu que agradeço.
– Amanhã a gente pode almoçar.
– A gente vê direitinho.
– Tá ok, boa noite, Lenita.
– Boa noite, Jorge – eles desligam. Lenita sorri olhando pro teto do carro.
Jorge sorri, jogando-se na cama.
Os dois estavam se gostando, mas estavam negando isso!