Lorena narrando. Acordo devagar, com a sensação estranha de que algo está errado antes mesmo de abrir os olhos. O silêncio é a primeira coisa que me atinge. Um silêncio diferente do da noite anterior. Mais vazio. Mais frio. Estico a mão ao meu lado por instinto e encontro apenas o lençol amassado, já frio. Meu coração dá um pequeno salto, daqueles que parecem bobos, mas doem do mesmo jeito. Ele não está aqui. Sento na cama, passando a mão pelo rosto, tentando afastar pensamentos que chegam rápido demais. Olho em volta do quarto, procurando qualquer sinal de que ele ainda esteja no apartamento. A porta do banheiro está aberta. O closet silencioso. Nada. Engulo em seco. “Não cria expectativas, Lorena”, repito para mim mesma, como se fosse um mantra antigo, conhecido, seguro. Ainda ass

