O Cheiro de Borracha na Sala de Estar Lívia Miller Quando descemos do mirante, as luzes da cidade pareciam um lembrete c***l da realidade. Se eu pudesse, se realmente eu pudesse escolher, queria ficar aqui em cima com ele. Nessa bolha acabamos de criar. Lá embaixo, a gravidade nos esperava, exigindo de volta os papéis que havíamos rasgado com tanta fúria. A adrenalina não se esgotou; ela apenas se transformou em uma febre lenta, um calor residual que nos seguia. Gregório dirigia na frente, e eu o seguia, os dois em um silêncio pesado que eu já conhecia. Não era o silêncio do constrangimento, mas o da consequência. Parecia que as coisas estavam finalmente entrando no eixo, e poderíamos finalmente viver o próximo passo. Claro que eu desejava algo diferente, nada tão pomposo como um cas

