Consolo

1109 Palavras

Consolo Lívia Miller O sol de Berlim não entrou no bunker. O ar era pesado, não mais de pólvora, mas da memória do terror e do silêncio que se seguiu à noite de sangue. Eu estava sentada na cama, envolta em um dos moletons de Gregório que cheirava a ele – fumaça, poder e agora, sutilmente, a metal. O silêncio da manhã era mais ensurdecedor do que os tiros da noite anterior. Eu sabia o que ele tinha feito, e para quem ele tinha feito. Gregório voltou antes do amanhecer. Ele não disse nada, apenas me beijou na testa com uma frieza de gelo que me avisou que o homem que eu amava tinha acabado de fazer algo terrível, mas necessário. Ele estava dormindo agora, o sono de quem extirpou um tumor. Eu não conseguia fechar os olhos. A porta se abriu suavemente e minha tia, Aretha, entrou. Ela nã

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR